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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

BIBLIOTECA DE SILVES - PROGRAMA



















28 de Abril (quinta-feira) | 21.00h

O QUE É PRECISO É CRIAR DESASSOSSEGO*

Concerto musical e leituras sobre música e literatura de intervenção social

Convidados especiais:

_ RICARDO MARTINS (voz solo e piano [finalista do Festival RTP da Canção 2010])

_ GRUPO DE CANTARES DA CASA DO POVO DE S. BARTOLOMEU DE MESSINES (coro de vozes e acordeão), dirigido pelo reputado maestro Stanimir Uzunov

_ VÍTOR RODRIGUES (guitarra portuguesa, guitarra clássica e coros)

_ DANIEL FONSECA (guitarra clássica e coros)

_ MARCO SILVA (voz solo e guitarra clássica)

Sala Urbano Tavares Rodrigues

Para o público em geral (entrada livre)

*frase de José Afonso


29 de Abril (sexta-feira) | 18.00h

CONTOS PARA BEBÉS NA BARRIGA DAS MÃES

Sector Infanto-Juvenil

Para grávidas

(requer inscrição prévia)


30 de Abril (sábado) | 16.00h

AQUI HÁ SABADO – oficinas que cruzam a literatura e as artes

KARAOKE INFANTIL

Sector Infanto-Juvenil

Para crianças dos 4 aos 12 anos e seus pais

(requer inscrição prévia)


Durante esta semana (26 a 29 de Abril) a Biblioteca Municipal realiza mais um conjunto de acções temáticas (as últimas deste ano lectivo), desta vez sobre a nova poesia portuguesa, com as turmas do 10.º ano regular da Escola Secundária de Silves, as quais se integram no projecto de continuidade de promoção interdisciplinar da leitura com jovens “A outra face da lua” que temos vindo a dinamizar regularmente com a comunidade escolar do ensino secundário desde o ano lectivo de 2009/2010. 
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PALAVRA - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

























PALAVRA

a palavra
sofre
sempre
a sua morte
antecessora.

Sylvia Beirute
inédito
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

ANTOLOGIA DE POESIA



Informam-me que a editora Popsul ainda procura autores para a antologia de poesia com a temática «o Mar». Fica o recado.
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REQUIEM PARA PIER PAOLO PASOLINI - EUGÉNIO DE ANDRADE - POEMA

























REQUIEM PARA PIER PAOLO PASOLINI

Eu pouco sei de ti mas este crime
torna a morte ainda mais insuportável.
Era novembro, devia fazer frio, mas tu
já nem o ar sentias, o próprio sexo
que sempre fora fonte agora apunhalado.
Um poeta, mesmo solar como tu, na terra
é pouca coisa: uma navalha, o rumor
de abril podem matá-lo – amanhece,
os primeiros autocarros já passaram,
as fábricas abrem os portões, os jornais
anunciam greves, repressão, dois mortos na
primeira
página, o sangue apodrece o brilhará
ao sol, se o sol vier, no meio das ervas.
O assassino, esse seguirá dia após dia
a insultar o amargo coração da vida;
no tribunal insinuará que respondera apenas
a uma agressão (moral) com outra agressão,
como se alguém ignorasse, excepto claro
os meretíssimos juízes, que as putas desta espécie
confundem moral com o próprio cu.
O roubo chega e sobra excelentíssimos senhores
como móbil de um crime que os fascistas,
e não só os de Salò, não se importariam de
assinar.
Sea qual for a razão, e muitas há,
que o Capital a Igreja e a Polícia
de mãos dadas estão sempre prontos a justificar,
Pier Paolo Pasolini está morto.
A farsa, a nojenta farsa, essa continua.

Novembro, 1975


Pier Paolo Pasolini (Março 1922 - Novembro 1975) foi um poeta, novelista e cineasta italiano. Filho de um oficial fascista e de uma mãe anti-Mussolini, Pasolini passou grande parte da sua infância em Casarsa della Delizia, a nordeste de Veneza. Em 1937 regressa à sua cidade natal, onde estuda história e literatura na Universidade de Bolonha. Publica, nesta altura, artigos na revista estudantil Architrave e começa a escrever poemas, editando a sua primeira colectânea, em edição de autor, no ano de 1942 (Poesia a Carsasa). Ainda jovem filia-se no Partido Comunista de onde viria a ser expulso por alegada homossexualidade, mas manter-se-á fiel à ideologia comunista até à sua morte.
A partir de 1949, a actividade literária de Pasolini intensifica-se, escreve poemas e romances, trazendo a publicação das duas primeiras partes de uma trilogia, Ragazzi di Vita (1955) e Una Vita Violenta (1959), a sua consagração enquanto escritor.
Foi, e ainda é, considerado um dos mais importantes e polémicos escritores italianos do século XX, tendo construído uma obra que reflecte as suas preocupações sociais e os seus ideais políticos. Mas a fama internacional de Pasolini deve-se sobretudo à sua carreira cinematográfica. Iniciou-se como actor na década de 50 e estreou-se como realizador em 1961 com Accatone, uma adaptação do seu romance Una Vita Violenta. Os seus filmes abordam temas tão opostos como a religião (Il Vangelo secondo Matteo, 1964) e a sexualidade (Il Fiore delle Mille e une Notte, 1973), apresentando muitas vezes perspectivas controversas que nem sempre foram bem aceites pelo público.
Autor de poemas, romances, ensaios, argumentos, realizador e teórico de cinema, Pasolini foi uma figura polémica do século XX italiano. A sua morte violenta, em 1975, é vista por alguns como um assassinato por motivos políticos.

Fonte: www.assirio.com

DO NASCIMENTO



 é especial quando um poema nasce cá dentro e nós só temos de o escrever. sem esforço.
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Domingo, 24 de Abril de 2011

FERNANDO ESTEVES PINTO - BRUTAL (EXCERTOS)

O silêncio é o espelho do Senhor Ibsen. Superfície manuscrita de culpas e remorsos. Sentiu raiva do que escrevera. Ainda pensou criar uma imagem na qual o Jovem Ibsen estaria prisioneiro dentro do espelho. Silêncio dentro do silêncio. Como pudera sair desse ser e tornar-se no que é agora? Como pudera formar-se a partir de uma série contínua de falhas de relacionamento? Continuaria a fazer-lhe as mesmas perguntas, a tecer as habituais acusações, violentas, sarcásticas. Por muito sofrimento que isso lhe causasse, teria de vitimar a sua própria infância. Por mais íntimo e desconfortável que se revelasse esse duelo de silêncios, teria de escalpelizar minuciosamente os seus actos, todas as brutalidades cometidas no decorrer da sua vida. Embora com um triste alívio da consciência, encontraria no Jovem Ibsen um paciente portador das suas frustrações e fúrias momentâneas. Quebraria inconsolavelmente o espelho do silêncio de ambos. Lutariam dentro um do outro como dois animais que se corroessem numa lenta agonia. Nesse grande duelo interior que funcionava como uma máquina de avaliação em que um deles seria dissecado em função do comportamento do outro.


………………………………………


O Senhor Ibsen sentia-se disponível para empreender uma viagem que a todos os níveis constituía um ritual de procura e reconhecimento de si próprio tendo por base a sua infância. Foram as últimas palavras da Rita que o lançaram na infernal viagem. Sentira a acusação dela como um estímulo que ele deveria interiorizar de modo a aproximar-se da criança que ainda o atormentava. A viagem seria tortuosa e implicaria da sua parte não só honestidade, mas uma inequívoca obediência da memória que desbloqueasse o acesso a situações dolorosas, onde o amor e a crueldade formavam nele uma espécie de barreira dupla no enquadramento da sua personalidade. Uma galeria de imagens constituída essencialmente por comportamentos accionados por instintos destrutivos e delinquentes (discussões em família; sentimentos desenvolvidos por reacções afectivas insustentáveis; provocações trágicas que revelavam situações de insensibilidade e impotência) minava-lhe o espaço de infância e fazia-o desprezar-se por pertencer a uma família disfuncional e endémica. Todas as cenas protagonizadas pelos pais e presenciadas por ele reduziram-lhe o amor e o respeito pelos outros, ao ponto de não se reconhecer na criança que estava a ser formada. A criança fundiu-se na imagem do adulto e este deixou-se dominar por ela. Quando ocorre algum erro de comportamento no Senhor Ibsen, a infância torna-se o quadro da autoavaliação onde é suposto a criança sentenciar-lhe uma acusação ou admitir-lhe uma fraqueza por influência de relacionamento. Havia momentos em que tinha uma absoluta consciência de que agia com a Rita por meio de imitações de cenas representadas pelos pais durante a sua infância. Palavras e actos, frases inteiras, provocações repetidas com uma furiosa precisão muitos anos depois, local da discussão, objectos utilizados no confronto, era tudo caracterizado pela sua memória, tudo preservado e defendido por uma consciência tormentosa que se servia desses arquivos de violência da mesma forma que alguém tentava libertar-se do caos e do medo. O Senhor Ibsen sentia uma voz que se impunha num registo dramático e que parecia enaltecê-lo nas suas decisões, por mais insensível que se apresentasse o seu interior. Como uma obsessão, era acometido pela necessidade de provocar uma cena que o relançasse no passado, um imenso e estranho teatro de vozes cuja representação distorcia nele a capacidade de reconhecimento e controlo da realidade envolvente. Nas suas projecções profundas de raiva e desespero tudo fazia parte do passado, logo, tudo era aceite num plano desculpável e amenizado por ele próprio. Porque raramente havia uma culpa que se poderia atribuir-lhe sem no entanto se confrontar pela evidência da sua infância. O poder que o Senhor Ibsen exercia sobre a Rita era uma tentativa desesperada de encobrir as raízes da sua fraqueza. E a sua fraqueza, quando posta em actividade pela mais ínfima contrariedade, depressa transpunha a barreira da sua racionalidade e transformava-se na mais cruel das ameaças. Tudo no Senhor Ibsen era eruptivo e atingia proporções que ameaçava a sua forma de estar com alguém. Havia algo de infantil no seu espírito, ou alguma coisa de excesso que implicava irredutivelmente com a sua capacidade de relacionamento.

………………………………………………..

O medo era uma herança incómoda na vida do Senhor Ibsen. Não só o medo que os outros podiam sentir por causa dele, mas o medo que ele sentia na análise vulnerável do seu comportamento íntimo e emocional. Tinha um profundo horror às suas próprias reacções, embora fosse capaz de fazer a previsão da gravidade do seu estado de espírito. Intuía quando um infeliz diálogo se desviava para uma zona de violência, sem no entanto conseguir reprimir a sua ira contra alguém. Nunca o Senhor Ibsen poderia controlar o medo que sentia porque o medo era o único sentimento que o ligava à infância e aos pais. Em momentos infectados de maldade, quando a vida dos dois parecia rodopiar num ralo infernal, o Senhor Ibsen considerava a Rita como modelo de caracterização da própria mãe, e dessa forma sentia-se incomodado por tantos estragos causados pela sua consciência devoradora. O que ele deixava escapar do seu comportamento agressivo podia ser entendido por uma sequência de cópias ou representações de atitudes e situações desencadeadas durante a infância, sentindo a presença da Rita como algo precariamente humano e exposta ao seu instinto fulminante e esmagador. O Senhor Ibsen incomodava-se cada vez mais com o seu medo indecente desempenhado pelos seus actos recheados de insanidade moral. Sempre que ele e a Rita se enfrentavam, a mãe e o pai surgiam num ponto transtornado do palco na sua memória como duas silhuetas que representassem uma cena a ameaçar a vida numa complicada ciência de inutilidades conjugais. Havia em tudo o que ele observava diante daquele palco de representação familiar, em todo aquele espaço íntimo e dramático, uma monstruosidade real que o obrigava a meditar sobre a cenografia do medo. O medo que ele transportara da infância e que agora o dominava por completo, corroendo numa alucinação triste e magoada toda a trama dos primeiros tempos de confiança e amor. Tudo a ficar sem história na sua vida, o medo a transformar-se na imagem da mãe que devora a sua própria cria. E o tempo abatia-se sobre ele e sobre todos os que viviam com ele como um caminho cheio de pó. Como um pano que desce sobre um palco onde o silêncio tem a orgulhosa tarefa de ocultar quem fomos e em que espécie de pessoas nos tornámos.
Em Brutal
Ulisseia, 2011
.

Terça-feira, 19 de Abril de 2011

WILLIAM BUTLER YEATS - POEMA - AS PENAS DO AMOR






































THE SORROW OF LOVE

The quarrel of the sparrows in the eaves,
The full round moon and the star-laden sky,
And the loud song of the ever-singing leaves,
Had hid away earth’s old and weary cry .

And then you came with those red mournful lips,
And with you came the whole of the world’s tears,
And all the trouble of her labouring ships,
And all the trouble of her myriad years.

And now the sparrows warring in the eaves,
The curd-pale moon, the white stars in the sky,
And the loud chaunting of the unquiet leaves,
Are shaken with earth’s old and weary cry.



AS PENAS DO AMOR

Sobre os telhados a algazarra dos pardais,
Redonda e cheia a lua - e céu de mil estrelas,
E as folhas sempre a murmurar seus recitais,
Haviam esquecido o mundo e suas mazelas.

Então chegaram teus soturnos lábios rosas,
E junto a eles todas lágrimas da terra,
E o drama dos navios em águas tempestuosas
E o drama dos milhares de anos que ela encerra.

E agora, no telhado a guerra dos pardais,
A lua pálida, e no céu brancas estrelas,
De inquietas folhas, cantilenas sempre iguais,
Estão tremendo - sob o mundo e suas mazelas.

William Butler Yeats
tradução de André C S Masini
em "Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa"
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

ABDÓMEN OU A PAZ FINAL- POEMA - SYLVIA BEIRUTE























ABDÓMEN OU A PAZ FINAL

é o requinte da escrita sobre o voo do inseto. 
na suspensão das breves pausas.
na saliva amena de uma linha
encontrada na hesitação da paz final.
e o homem detém-se no verde fresco
da ideia sem corpo.
o corpo ausente  que instiga um braço oculto, 
e, logo, uma mão invisível, autónoma de um medo 
sem uns fios de ferro que o definam
e lhe exercitem o sangue.
- - - - - -- - - - - - --- - - - --- - --- - -- - - - - - - - -
e o silêncio e o esquecimento se tocam.
a intenção tece um texto longo. a felicidade gira
como qualquer outra insignificância.
e o poema nasce tão aleatório
quanto tudo isso. quem sabe apenas
a sombra de um abdómen
entre dois silêncios servindo-se
das nossas bocas, provando da mesma casca.

Sylvia Beirute
inédito
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Sábado, 16 de Abril de 2011

AL BERTO - POEMA

















4.

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
conhece o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos

Al Berto
em Uma Existência de Papel
Gota de Água, 1985
.

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

ANTOLOGIA DE POESIA SOBRE O MAR



















A editora Popsul pretende reunir autores de língua portuguesa para uma antologia de poesia com a temática do Mar. Parece um processo bastante interessante.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

JORGE DIAS - OBSESSIONS

Obsessions from Jorge Dias on Vimeo.

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

WENDY COPE

If you are interested in writing well, in working at being a better poet, then the most important piece of advice that anyone can give you is that you have to read recent poetry.

Wendy Cope
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LIVRO: FERNANDO ESTEVES PINTO - BRUTAL




Já aqui falei da poesia de Fernando Esteves Pinto. A editora Ulisseia publica agora o seu novo romance: Brutal.

Brutal é um romance onde se representam todos os traumas da infância, da adolescência e da idade adulta resultantes da decadência humana: violência doméstica, abuso sexual e disfunção emocional. Brutal tem como base narrativa dois personagens que são um só – um jovem e um velho, duas idades da mesma pessoa, ambos fascinados pelo teatro – que, no cenário das suas próprias vidas, dramatizam impiedosamente os momentos que fundamentam e marcam as suas existências. Nesse palco do romance são postos em causa e analisados, até à humilhação de se sentirem culpados um do outro, na relação perversa que ambos sentem pela natureza humana. É um duelo entre a maldade e o remorso, onde o amor e a escrita são meros figurantes.
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

HISTÓRIAS DANINHAS: GUILHERME JOSÉ PIRES E JOÃO RUI AFONSO



Interessante este projeto intitulado Histórias Daninhas de Guilherme José Pires e João Rui Afonso.

Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

UM OUTRO POEMA DE AMOR - SYLVIA BEIRUTE























UM OUTRO POEMA DE AMOR

o nosso amor não tem cultura,
não tem competências ou uma só entidade
que possa ser contactada
em caso de pré-morte;
não contempla todas as regiões
de um sábado ao fim da tarde, sinos
que reverberam na lembrança
imediatamente anterior, fazendo
ligar todo o tempo.
o nosso amor não tem inesquecibilidades
penduradas ao pescoço, um coração
cercado por uma bênção branca,
não tem categorias vocais,
fundamentalismos que sejam passagens
e pontes, transições para registos
graves e inerentes à singularidade
de um perceber-se a si mesmo
em cada segundo-ilha.
o nosso amor não tem amor
e mesmo a palavra que o assinala
vai perdendo as suas sílabas.

Sylvia Beirute
inédito
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