Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
DIAS DEBAIXO DA FORÇA DAS RAÍZES - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
DIAS DEBAIXO DA FORÇA DAS RAÍZES
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dias debaixo da força das raízes.
sesteando
a lonjura de um infinito menor.
a gramática cresce para silêncio
e é a sensatez que encontra
o título da antítese.
um outro ser ganha o desejo
de um outro.
a sensibilidade é uma questão
de sim ou não.
os dias morrem em varandas
de não casas.
e eu sou um pouco de todos os nadas.
com o caroço de todo o capricho,
a ferramenta de todo o prazer.
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Sylvia Beirute
inédito
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ADEMAR SANTOS
Acusam-me num comentário de ter "esquecido" o falecimento há um ano do poeta Ademar Santos. Nada de mais errado e injusto. Aliás, ao longo deste último ano foram várias as vezes que lembrei o meu saudoso amigo. E continuarei a fazê-lo seguramente.
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CAMPANHA POLÍTICA POR EXCLUSÃO DE PARTES
Depois de Manuela Ferreira Leite ter dito que mais do que um primeiro-ministro procurava afastar José Sócrates do Governo e até da oposição, Mário Soares vem agora dizer-se apenas fiel ao PS que ajudou a criar. Isto não vai correr bem.
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política
Domingo, 29 de Maio de 2011
POEMA HOMOERÓTICO - SYLVIA BEIRUTE - POEMA
POEMA HOMOERÓTICO
tem tudo a ver com invisibilidade e nudez.
uma e outra. entre uma e outra.
a nudez parece-lhe uma coisa que oculta o corpo.
a invisibilidade é um meio
para o seu exercício.
mas o corpo continua lá. prolongando
inícios, destilando a perfeição
de dedos que depois são dados
e depois esquecimentos. utopias.
tem tudo a ver com invisilidade e nudez.
e com a lentidão da cabeça que digere
a emoção, os lugares nómadas da beleza,
os estilhaços da noite efémera.
e no silêncio: no silêncio cultivam-se
outros corpos, novas formas de o dizer.
o tempo sacrifica um outro tempo.
a moral representa por toda a parte.
o mundo continua. o mundo continua.
Sylvia Beirute
inédito
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BRUTAL, DE FERNANDO ESTEVES PINTO, NA ANTENA 2 - TONS DAS IDEIAS
ÚLTIMA EDIÇÃO - Tons das Ideias Antena 2 - Multimédia RTP
Brutal
de Fernando Esteves Pinto
Editora Ulisseia, Grupo Babel
Brutal
de Fernando Esteves Pinto
Editora Ulisseia, Grupo Babel
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
INTERVALO DE VELUDO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
INTERVALO DE VELUDO
o dia no frasco cansa a vítima que em mim
ouve galos e todo o acontecido por ordem
a vida exausta
na infindável segurança da morte
nada de semelhante
nada de cinzas na frequência
que mais sofre
nada que conserve nas janelas
a recordação da febre alta e ténue
na visão prática da origem
e eu não sei ainda como libertar o dia
do frasco e o frasco do dia e o dia
da vítima que morre por mim quando
de mim nada espera
nada distingue na higiene íntima
no medo sagrado dos braços
que abraçam a intempérie
do quarto.
Sylvia Beirute
inédito
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TONY OURSLER NA COLEÇÃO BERARDO
Quem andar por Lisboa e quiser ver uma coisa fora do vulgar, vá ver a colecção Berardo, no CCB. Especificamente recomendo a instalação de um artista que muito admiro, Tony Oursler. A projeção videosonora chama-se Judy (Lisbon Version) e, apesar de ser um conceito muito bizarro, é muito humana na maneira como aborda as relações entre familiares.
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
OSCAR WILDE E A POESIA
Um grande poeta, um poeta que seja realmente extraordinário, é a menos poética de todas as criaturas. Contudo, os poetas menores são absolutamente fascinantes. Quanto mais medíocres são os seus versos, mais pitorescos parecem. O simples facto de ter publicado um livro de sonetos de segunda ordem faz de um homem uma pessoa extraordinariamente irresistível. Ele vive a poesia que não consegue escrever. Os outros escrevem a poesia que não ousam realizar.
Oscar Wilde
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
BEN CLARK - POEMA - VIVAT ACADEMIA, VIVANT PROFESSORES
VIVAT ACADEMIA, VIVANT PROFESSORES
Te he visto profesor. Te he visto bien.
Dices las mismas cosas cada curso. Dices las mismas frases cada curso.
Dices siempre lo mismo cada curso.
Cada curso es igual, siempre lo mismo.
Lo mismo cada curso, siempre igual.
Cada curso las mismas frases siempre.
Lo dicen los apuntes, profesor.
Profesor, está escríto en los apuntes.
Lo mismo cada curso, profesor.
Lo hemos visto: lo mismo cada curso.
Alegrémonos pues: siempre lo mismo.
VIVAT ACADEMIA, VIVANT PROFESSORES
Dedicado a...
Vi-te professor. Vi-te bem.
Dizes as mesmas coisas em cada curso.
Dizes as mesmas frases em cada curso.
Dizes sempre o mesmo em cada curso.
Cada curso é igual, sempre o mesmo.
O mesmo cada curso, sempre igual.
Cada curso as mesmas frases sempre.
Dizem-nos os apontamentos, professor.
Professor, está escrito nos apontamentos.
O mesmo em cada curso, professor.
Nós vimo-lo: o mesmo em cada curso.
Alegremo-nos pois: sempre o mesmo.
Ben Clark
em Memória
Editorial Huacanamo, 2008.
(tradução inédita de Sylvia Beirute)
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
INGEBORG BACHMANN - POEMA - TODOS OS DIAS
TODOS OS DIAS
A guerra nunca se declara,
a guerra continua. O que se dá no céu
se degenera em quotidiano. Os heróis
ficam fora de batalha. Os fracos
recuam para a linha de fogo.
A vestimenta do dia é a paciência,
a medalha é a pobre estrela
da esperança sobre o coração.
E é assim
quando já nada renasce,
quando os canhões se silenciam,
quando o inimigo é invisível
e a sombra da armadura é forte
e esconde o céu.
E é assim
na fuga das bandeiras,
na audácia em frente aos amigos,
na traição de segredos imerecidos,
no não cumprimento
de uma ordem.
Ingeborg Bachmann
tradução de Pedro Calouste
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
O PRATO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
O PRATO
o poema vai reagir aos olhos do rei.
quando as suas palavras se perderem
noutras palavras.
em cada segunda-feira.
em cada fernando pessoa de madrugada
e instante.
e por cada vergonha, um beijo
vale a pena
pela observação linguística do facto,
pelo cansaço da subida
na metafísica das mãos coladas.
o poema vai reagir aos olhos do rei.
daqui a pouco.
num prato de perguntas. numa mesa
de respostas
onde comer uma uva é recitar a memória
que cumpre um dever.
Sylvia Beirute
inédito
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FLORENÇA-SIENA - JOSÉ MIGUEL SILVA - POEMA
FLORENÇA-SIENA
Concerto para muros e ciprestes
numa escala de colina - não há fífias
na paisagem pós-divina da Toscânia.
As aves interpretam arabescos
concebidos pelo lápis de Da Vinci,
os rochedos de Ghiberti fazem vénias
à passagem do comboio, as oliveiras
e as faias são zincadas amiúde
por ferreiros eruditos, e o coro
feminino dos vinhedos, ensaiando
por Puccini, canta loas afinadas
ao engenho cenográfico do homem.
A morte, o imprevisto, o tremendismo
natural só comparecem, neste parque
do possível, como artistas convidados
(embora o Arno, às vezes, se amotine
em regressivas enxurradas de mau gosto,
enxovalhando as racionais disposições),
e até o próprio Deus, se quer entrar,
compra bilhete, aproveitando, de passagem,
para ver como se faz um paraíso.
José Miguel Silva
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
CONCURSO FNAC NOVOS TALENTOS LITERATURA
Votei no conto de André Domingues, Sine Die, no concurso Fnac Novos Talentos, que me parece ser uma boa peça de literatura. Se concordarem comigo, façam o mesmo.
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PABLO PICASSO - POEMA
Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.
Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo.
Continua aprendendo...
Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Aprecia coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.
A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!
Rodeia-te daquilo de que gostas:
Família, animais, lembranças, músicas, plantas, um hobby, o que for.
O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a.
Se está instável, melhora-a.
Se está abaixo desse nível, pede ajuda.
Não faças viagens de remorso.
Viaja para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças
viagens ao passado.
Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as
oportunidades.
E lembra-te sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos
Em que perdeste o fôlego:
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade...
Pablo Picasso
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Domingo, 8 de Maio de 2011
FREUD E OS POETAS
Os poetas são aliados muito valiosos, cujo testemunho deve ser levado em grande conta, pois costumam conhecer toda uma vasta gama de coisas entre o céu e a terra com as quais o nosso saber escolar ainda não nos permitiu sonhar. Estão bem à nossa frente, gente comum, no conhecimento da psique, já que trabalham em fontes que ainda não tornámos acessíveis à ciência.
Freud
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