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domingo, 15 de novembro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - A disposição do corpo sobre as suas funções emotivas




























A DISPOSIÇÃO DO CORPO SOBRE AS SUAS FUNÇÕES EMOTIVAS
 
deixar que me amem é rodear {eu}
a compreensão de outrem. há actividade nesse lado passivo.
{na mulher sã há mais actividade no
lado passivo que no lado activo.}
e depois substituir o amor: porque a actividade
do lado passivo consegue-o,
uma vez que o optimismo de tal acto
se basta na área da provocação.
{e de resto}, o intestino mantém a sua função,
o aplauso entre duas mãos é injectado de verdade
e música. {os átomos} são aproximados
e isso chega para proibir a monotonia.
{depois disso}, passivamente, o amor é uma hipótese
sobre a beleza que é um acumular de belezas,
sobre a morte que é um acumular de mortes ou vidas,
sobre a vida que é um acumular de vidas ou mortes,
sobre a idade que é a única violência sobre o corpo
e é uma coreografia que avança
ao encontro de DEUS.

Sylvia Beirute
inédito

Um poema de Sylvia Beirute - Lenimento



















LENIMENTO

nunca, num movimento, há uma resposta.
a criatividade é, quanto ao pudor, incontinente  } e é universal.
o seu cérebro está em órbita interna.
não há demonstração no seu entendimento.
no seu fazer acontecer uma morte que esculpe
reduz o seu corpo, e as funções mínimas
ainda fecundam no momento do nascimento.
{no lenitivo sangue um punitivo escrever simula.}
{simular-me é negar-me.} um lupino semi-inarticulado
deixa as palavras por dizer, mas ainda assim dispostas,
por preencher na exibição da {leitura}.
depois do momento criativo, o criador encontra
no rosto uma personagem para interditar o corpo
e regressar à memória que reverbera
com a mesma natureza de um grão de sal.


Sylvia Beirute
inédito

sábado, 14 de novembro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - Carta






















CARTA

O Poeta precisamente só o será 
quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
António Maria Lisboa

a estética do corpo confirma a estética da alma, }
[posso enviar-lhe uma carta?]
com a alma confirmo os minifúndios
onde se cultivam carnes sobre carnes.  
[vejo uma flor].
a respiração distingue o belo do imbelo, e
apanho essa flor.
lá longe, a montanha substitui
o vento que por ela passa
[e o seu murro é uma escultura interna, sabes].
sim, talvez alguém fale deste acto e use o termo
«proporção» para re}esquecer, porque o termo
«metáfora» está em crise,
uma vez que tem imposto uma barreira
entre realidades que nem sempre existe.
[posso enviar-lhe uma carta]
claro, uma carta com pensamentos
de trompas laqueadas.

inédito

Um poema de Sylvia Beirute - Minifúndio





















MINIFÚNDIO

ora, é evidente que podemos
morrer sem explicar a vida.
não fazer nada é fugir.
{morrer é fugir.}

inédito

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - Depois do Primeiro Verso






















DEPOIS DO PRIMEIRO VERSO

este verso não chegará para a lucidez como
chega a nitidez para o alívio. se digo {é noite
ao canto da boca}, a memória sumarenta cresce
e propicia os peixes que se desintegram do esquecimento
e na imediatez dos estilhaços do momento
vagueiam na extremidade do que poderá
ser descrito como {inconsciência}.
e nele há uma longa viagem de fora para dentro
e de dentro para fora } há sempre uma ferida no
seu orfanato de feridas e a metamorfose é panorâmica
no rebordo do alarme do seu silêncio rolante.
após este verso o poema chegará ao seu porto
porque afinal:
longe da solidão qualquer lugar é um exílio. 

Sylvia Beirute
inédito

um outro poema meu {aqui}

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - Carbono




























CARBONO

parte esta distância ao meio e
separa os meus carbonos e nirvanas e
nas aberturas que se formam, entre uns e outros,
coloca-me um daqueles {!} pontos de exclamação
vermelhos em vias de extinção
e que cortam primeiro o pulso e depois
o eco à palavra eterna. } recolhe então
os deuses que da palavra emanam, ou
os do eco nado-morto no seu útero de nuvem, e
dispõe-os sobre a meia volta que o abraço
dá, desde a manhã, até à tarde. {
porque, de resto, na memória não há sentimentos
mas emboscadas que da sua espontaneidade
brotam e voam como algo por acontecer}.
as suas palavras, verdadeiras ou não, nascidas
ou inascidas, desfazem o longo muro de silêncio.

Sylvia Beirute
inédito

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um agradecimento

Agradeço o inesperado destaque no blogue Poetas Portugueses do Século 21.

Um poema de Sylvia Beirute - Outono























OUTONO

{cada vento tem o seu próprio outono
e cada próprio outono tem os seus veios.
cada veio tem o seu coral e este a sua declaração.
cada vento tem, pois, a sua fenda
e cada fenda tem a sua respiração, porque é
insofismável que cada massa de silêncio
corresponde a uma desordem.
cada vento tem, claro está, a sua maneira de ser
porque cada outono transborda, e o resultado
do seu alagar de leito é um pensamento
em potência e ainda sem um mundo de expressão.}

{passam ventos diferentes em outonos diferentes,
respiro leitos de ar diferentes pela porta dos fundos
de uma forma de nexo trémula. lá longe
a arborescência parece indicar um sono profundo
e talvez alguém aproveite para sonhar.}

Sylvia Beirute
inédito

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Migrações - um poema de Sylvia Beirute
















MIGRAÇÕES 

de entre todas as coisas,
uma certeza
é a única coisa que,
espiritual e fisicamente,
não volta.

Sylvia Beirute

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - O imprevisível é remisturável



















  



O IMPREVISÍVEL É REMISTURÁVEL

{o imprevisível é remisturável.
as horas contradizem os minutos.
chorar muito sobre um rio seco,
esperar o espírito dos peixes.
acordar poeticamente um dia
porque a memória se esqueceu
que o esquecimento seria lançado
numa poesia completa e definitiva.
e escrever mais um poema que
esconde tristezas junto de falhas.
e actualiza desactualizando.
inventada escrevo de novo.
escrever é esculpir sem pedra.
e depois procurar uma pedra,
pesar a pedra, e depois o poema.
e ainda pesá-los juntos e verificar
se o peso bate, contradiz ou a pedra voa.
pesar com os olhos e a leitura.
porque o imprevisível é saturável.
remisturável. talvez acorde um dia
adormecida em muito amor,
talvez não seja realmente eu
mas um prazer minúsculo que me derroga,
talvez me resgatem apenas de uma lágrima.}

Sylvia Beirute
inédito

sábado, 10 de outubro de 2009

A importância da Leitura


























Passamos a vida a dizer que os miúdos devem ler. Criam-se planos nacionais de leitura e renovam-se estratégias de conquista para os livros. Até se fazem congressos internacionais para pensar nisso, como o de promoção da leitura que hoje começa em Lisboa. Porque ler é preciso, dizem os especialistas. Para quê?

Ler o quê? Tudo. Anúncios, legendas, jornais e até receitas de culinária, mas principalmente literatura. E para quê? Para ampliar as capacidades do cérebro, aprender a pensar, a ver com o olhar dos outros e a recriar emoções ou sentimentos. A leitura torna o mundo mais inteligível e as pessoas mais inteligentes. Além disso, está vinculada directamente à educação e à cultura e também ao desenvolvimento social e económico sustentado de qualquer país. Quem o diz são os especialistas em promoção da leitura que hoje e amanhã se reúnem em congresso internacional na Gulbenkian, em Lisboa. O tema é Formar Leitores para Ler o Mundo e o objectivo também.

As perguntas devem ser feitas pela ordem inversa - Ler o quê? Ler para quê? -, começa por dizer Peter Hunt, professor da Universidade de Cardiff (Reino Unido), especialista em Literatura para a Infância e o primeiro orador no congresso. "Ler para quê? Ler o quê?", é então a forma a partir da qual organiza as respostas que envia ao P2 por email. Porque primeiro, argumenta, é preciso definir que tipo de leitores se quer formar.

"Se quisermos formar 'leitores funcionais', pessoas que conseguem ler o suficiente para ter uma vida normal, como saberem ler anúncios ou um aviso para que não caiam num buraco mais adiante, então pouco importa o que lêem. Para isso, servem os jogos de computador, os jornais, as bandas desenhadas ou a televisão. Se quisermos formar leitores que consigam compreender uma linguagem complexa, para que a sua vida seja também mais complexa e interessante, então, provavelmente, estes leitores precisarão de ler ficção, romances - livros", explica o autor de Children's Literature: Critical Concepts in Literary and Cultural Studies.

A escolha de Peter Hunt para a abertura dos trabalhos foi justificada por António Prole, coordenador da Casa da Leitura, organizadora do congresso, pela comunicação abrangente que irá apresentar. "Irá reflectir sobre o que se passou nos últimos 30 anos na literatura infantil. O que é que mudou? Qual é a diferença entre os livros de hoje e os de então? Será que perderam qualidade? As componentes gráficas e ilustrativas são diferentes? O álbum será uma influência dos meios visuais que está a contaminar a escrita para as crianças? No fundo, pôr o livro em questão."

Um estudo do Reino Unido relativo a 2008, que será apresentado por Hunt, conclui que, "nos últimos 30 anos, ocorreu uma mudança radical na natureza dos textos escritos para crianças (e no conceito de infância implícito), especialmente em termos de estilo, ritmo e complexidade de referências e estruturas intertextuais e intratextuais".

Ampliar o cérebro

Da Universidade Autónoma de Barcelona chegam ao P2 as respostas de Teresa Colomer, doutorada em Ciências da Educação. "A leitura é uma operação que amplia as capacidades do nosso cérebro. Permite-nos recriar experiências perceptivas, diferentes perspectivas intelectuais e emotivas e dar sentido às situações. Permite-nos dominar as possibilidades da linguagem e essa é a matéria-prima do nosso pensamento. O mundo torna-se mais inteligível (e por conseguinte torna-nos mais inteligentes). É uma forma de desfrutar melhor o nosso tempo de vida."

Nunca antecipar as fases de desenvolvimento da criança é uma das regras a seguir quando se orientam as suas leituras: "Devem ler as obras que conseguem compreender em função do seu nível de desenvolvimento e de domínio das convenções literárias. Os miúdos não dominam os saltos temporais e perder-se-iam em obras que se constroem alterando a linha cronológica." Acredita que os contos tradicionais são a melhor base literária, mas que a leitura de livros medíocres também traz vantagens, como a de "consolidar a capacidade leitora sem exigir muito esforço", diz a autora de Siete Llaves para Valorar las Historias Infantiles.

77 milhões de não leitores

Para Galeno Amorim, escritor e jornalista brasileiro, "é fundamental ler, não importa o suporte. Ler (ou ouvir ou tactear!) livros, revistas, jornais, histórias aos quadradinhos, tudo. Mas, sobretudo, ler literatura, nos seus mais diferentes géneros". Foi o primeiro coordenador do Plano Nacional do Livro e da Leitura no Brasil e fala na existência, em paralelo, de "95 milhões de leitores de livros e de 77 milhões de não leitores".

Virtudes da leitura: "Ler para ampliar o próprio universo, para se apropriar do conhecimento universal. Para desenvolver a inteligência, mas, principalmente, para olhar com o olhar do outro e, assim, se tornar mais tolerante, mais humano. Nos países pobres ou em desenvolvimento, ler é fundamental como meio de promover a cidadania."

António Prole, assessor da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, diferencia-se dos teóricos cujo objectivo essencial é formar leitores literários. "Eu, como português, quero formar leitores competentes. Sabendo que, quando tiver uma grande massa de leitores competentes, terei (não na proporção directa) uma maior capacidade de ter leitores literários."

A redescoberta do prazer da leitura foi uma das respostas enviadas por Sandra Beckett, professora da Universidade de Brock, Canadá, que estuda a ficção de cruzamento, em que adultos e crianças partilham o mesmo tipo de leituras, caso dos livros do Harry Potter. "A ficção de cruzamento ganhou visibilidade nos media. Mais adultos estão neste momento a ler literatura para a infância, porque alguns dos melhores escritores são desta área. Redescobrem assim o prazer de uma boa história, como nos casos das imaginadas por J.K. Rowling, Philip Pullman e outros." 

Rita Pimenta
no Ípsilon

domingo, 4 de outubro de 2009

Luiz Pacheco Versus Mário Cesariny

CESARINY OU DO PICTO-ABJECCIONISMO


IN: PACHECO VERSUS CESARINY
FOLHETIM DE FEIÇÃO EPISTOLOGRÁFICA
LUIZ PACHECO
Editorial Estampa, Lisboa, 1974

Intensamente livre um homem tomou esta madrugada o comboio para o Porto. Na bagagem, uma caixa com algumas telas, tinturas, borradas, poemas-abjectos. Não é um pintor de arte. É melhor um poeta. Um viajante sem fronteiras. Um caso sério. Quando Mário Cesariny de Vasconcelos expôs há um ano, na galeria do «Diário de Notícias», pela primeira vez, o resultado das suas digressôes por uma seara alheia, o feito suscitou comentários que exprimiam a apreensão de certos amigos seus ao verem-no desviar-se duma linha de que a sua poesia fora, até ali, penhor fiel. A reincidência, desta vez no Porto, obrigará a uma nova atitude: não já por ora o reconhecimento de facto (consumatum est), mas ainda e só aquela pergunta inquieta que também tem a sua versão em clássico: Mas, ubi est victoria tua?

Pode ser que no Porto, cidade entre todas tolerante, tenha por acaso aceitação o falacioso alibi: é a pintura dum poeta, o mesmo que leva Jean Cocteau a enjeitar de arabescos frigoríficos de boas marcas, como permite a Cesariny fabricar tlnturas para nortenho ver.

No primeiro caso (Cocteau), a Academia Francesa encarregou-se de nos dar a verdadeira explicação do fenómeno; em Cesariny, honra lhe seja, não é o pecado do conformismo que se prevê nos tempos mais próximos. Mas uma ausência, uma estranheza que fica em nós e se pode definir assim: "aturdido pela antevisão do abismo, aterrorizado perante a prova de desintegração mental a que terá que sujeitar-se para realizar o individualismo absoluto, o lírico faz um regresso desvairado ao seu individualismo convencional. No entanto ele nunca mais se libertará da nostalgia dum universo que chegou a pressentir" (1).

*

Há três razões para detestar as tinturas de Mário Cesariny. Vamos, por ordem ascendente:

1ª) São aspectos inferiores da chamada blague ou bluff surrealista. Tudo o que no surrealismo é provocação ou ofensa directa degenera em conforme gracinha logo que perde de vista os verdadeiros ojectivos dessa denúncia. Espantar o burguês - que ociosa manobra, que infantilidade tocante!

Quando a consagrada fórmula surrealista, saída autêntica para a revolta e para o desespero: descer à rua e disparar à toa sobre a multidão se inverte (se diverte) em jogos arrojados de cores, belos achados e contrastes e tudo o mais fica esquecido por negligência, por fraqueza ou por abjecção; quando o poeta acha piada em especular com o snobismo compreensivo das pessoas de teres e haveres, num complexo que terá suas manhas do cortesão palaciano, do vendilhão e do arauto de novas estéticas, temos para nós que não há provocação - mas namoro; que não há ofensa - mas salamaleque; que não há denúncia - mas indisfarçada necessidade. E daí que, também, a «blague» perca toda a graça (caímos no Reino da Maior Tristeza) e o «bluff» seja apenas válido para os que aceitaram o jogo e o pagaram.

2ª) Pagaram. Outra não menor ingenuidade é esta de o Poeta querer ver reconhecido e estimado, como valor mercantil, o que faz na sua condição de poeta. E por quem?! Precisamente por uma sociedade que alternadamente o teme, ou o repele, ou o despreza. E que não costuma perdoar aos que excedem as suas regras (cito dois casos extremos em campos opostos: Pound e Pasternak).

O triunfo social do Poeta - e não é desconhecido para ninguém que, um tanto mais um pouco menos, isso sempre se verificou, - não pode estar dentro das suas preocupações imediatas. Homem, é legítimo que ele sinta as necessidades do comum cidadão; artista, é inevitável que se queira aplaudido e acarinhado. Para um surrealista, porém, o problema complica-se. Ora era a propósito dum surrealista (Cesariny) que estávamos falando. E que ele sabe, como todos nós, que a sociedade apenas compra aquilo que lhe convém. Ou que deixou de a assustar.

3ª e última razão) A mais grave.

Uma pessoa não se pode distrair, repetia António Maria Lisboa quando adquiriu a certeza de que já não lhe restava muito tempo para as tarefas menores. Ao leitor de Pena Capital não podem restar dúvidas que os picto-poemas de Cesariny só com muita leviandade se podem considerar uma criação superior, ou sequer paralela à sua lírica.

Não se queira exigir dum Artista esta ou aquela directriz, esta obra e não outra; mas também será impertinência exigir aos mesmos que o acompanharam nos seus momentos melhores que se calem (porquê? para quê?) quando, em sua consciência, o sintam mudado.

E que lamentem, mesmo em público, mesmo com todas as consequências, vê-Io tomar um caminho extravagante ("quem chegará primeiro? ele? o caminho?"). Pelo que...

...os picto-poemas de Mário Cesariny não são abjeccionistas porque ele quer. São a abjecção, porque nós os consideramos assim.

_____________

(1) Natália Correia, «Poesia de Arte e Realismo Poético», pág. 11

Luiz Pacheco
Fonte: Revista TriploV

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - Semente

SEMENTE

respirar é semear no ar, respirar é semear no ar }
respirar {respira} é semear no ar.
respirar é excisão de um momento, semear no ar.
respirar é semear no ar, respirar é
semear no ar } respirar
{respira}
é semear no ar. respirar é excisão de um momento,
semear no ar. respirar } é semear no ar,
inspirar é semear no ar, expirar é colher, colher no ar }
há um eco que é um rasto, um monopólio de um olhar recto,
todos eles respiram, semeiam,
os ápices aparentes, desilusões sonoras:
respirar é semear no ar.

Sylvia Beirute