sábado, 21 de novembro de 2009
Do Estrago
Elogios como este estragam-me. De qualquer das formas, manda a boa educação agradecer. Obrigada, Amor ao Quadrado.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Inflorescência
INFLORESCÊNCIA
{a um amigo íntimo}
se eu florescesse. { } mas tudo teria um artifício sólido
se eu florescesse:
os ouvidos sofreriam porque a condensação da flor os não atende,
pôr-me-ia em estufa e conheceria
os mistérios dos lírios e os pequenos sofrimentos
que secretamente os mantêm ora vivos
ora sobrevivos, e não
veria tudo o que de comboio a vida
continuamente apresenta e perturba.se eu florescesse, sendo puramente artística, fal-
tar-me-ia a personalidade e uma lógica soberba
que me fizesse descer à Poesia.
por fim, e esta é a diferença fundamental, se eu florescesse
alguém poria, sem
redimição possível, as lágrimas em mim.
Sylvia Beirute
inédito
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Rouge
ROUGE
{a um namorado}
ninguém vê a magia das coisas porque a magia co-
meça e acaba antes da razão, precede a razão,
e é fechada na imediatez das cortinas da glande
que é este mundo. } e, por outro lado, é infinita
como tudo aquilo que é demasiado grande
para os exercícios que os olhos podem executar.
mas claro: isto não é desculpa, não é desculpa para dizer
que não encontro os meus detrimentos e anti-óbvios
de modo a que se instaure em mim uma indústria
de excepção. } na realidade, {serei honesta} ,
há uma completíssima incompletude nos meus
dedos de teatro, comecei a ver a beleza física
presa nos átomos que a puxam
para-dentro-e-para-dentro até ao frio do corrimão
entre os fluidos e as mãos. não consigo
dominar a natureza, pedirei desculpa
quando o universo completar uma volta
e a memória preceder o corpo.
Sylvia Beirute
inédito
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
À falta de poesia, uma Sugestão Musical
Recomendo o EP dos Governo, projecto musical de valter hugo mãe, disponível para download gratuito {aqui}.
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domingo, 15 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Leitura Explícita
LEITURA EXPLÍCITA
{talvez um dia regresse à voz do leitor.}
o leitor morre mais depressa que o poeta.
quero os meus poemas a morrerem
daqui a cem anos
no último fio de voz do primeiro leitor imediato
e numa altura em que todos os livros
subirão aos céus.
não quero o prazer de haver sido distante
num tempo distante. quero o prazer
de ser imediata e soberba
num tempo imediato e arrogante.
quero manufacturar tudo o quanto de pescoço há
na representação.
porque o tempo futuro é um encolher de ombros,
e nos meus poemas as razões se limitam
a retirar razões a outras razões.
Sylvia Beirute
inédito
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Um poema de Sylvia Beirute - A disposição do corpo sobre as suas funções emotivas
A DISPOSIÇÃO DO CORPO SOBRE AS SUAS FUNÇÕES EMOTIVAS
deixar que me amem é rodear {eu}
a compreensão de outrem. há actividade nesse lado passivo.
{na mulher sã há mais actividade no
lado passivo que no lado activo.}
e depois substituir o amor: porque a actividade
do lado passivo consegue-o,
uma vez que o optimismo de tal acto
se basta na área da provocação.
{e de resto}, o intestino mantém a sua função,
o aplauso entre duas mãos é injectado de verdade
e música. {os átomos} são aproximados
e isso chega para proibir a monotonia.
{depois disso}, passivamente, o amor é uma hipótese
sobre a beleza que é um acumular de belezas,
sobre a morte que é um acumular de mortes ou vidas,
sobre a vida que é um acumular de vidas ou mortes,
sobre a idade que é a única violência sobre o corpo
e é uma coreografia que avança
ao encontro de DEUS.
Sylvia Beirute
inédito
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Um poema de Sylvia Beirute - Lenimento
LENIMENTO
nunca, num movimento, há uma resposta.
a criatividade é, quanto ao pudor, incontinente } e é universal.
o seu cérebro está em órbita interna.
não há demonstração no seu entendimento.
no seu fazer acontecer uma morte que esculpe
reduz o seu corpo, e as funções mínimas
ainda fecundam no momento do nascimento.
{no lenitivo sangue um punitivo escrever simula.}
{simular-me é negar-me.} um lupino semi-inarticulado
deixa as palavras por dizer, mas ainda assim dispostas,
por preencher na exibição da {leitura}.
depois do momento criativo, o criador encontra
no rosto uma personagem para interditar o corpo
e regressar à memória que reverbera
com a mesma natureza de um grão de sal.
Sylvia Beirute
inédito
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sábado, 14 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Carta
CARTA
O Poeta precisamente só o será
quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
António Maria Lisboa
a estética do corpo confirma a estética da alma, }
[posso enviar-lhe uma carta?]
com a alma confirmo os minifúndios
onde se cultivam carnes sobre carnes.
[vejo uma flor].
a respiração distingue o belo do imbelo, e
apanho essa flor.
lá longe, a montanha substitui
o vento que por ela passa
[e o seu murro é uma escultura interna, sabes].
sim, talvez alguém fale deste acto e use o termo
«proporção» para re}esquecer, porque o termo
«metáfora» está em crise,
uma vez que tem imposto uma barreira
entre realidades que nem sempre existe.
[posso enviar-lhe uma carta]
claro, uma carta com pensamentos
de trompas laqueadas.
inédito
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Um poema de Sylvia Beirute - Minifúndio
MINIFÚNDIO
ora, é evidente que podemos
morrer sem explicar a vida.
não fazer nada é fugir.
{morrer é fugir.}
inédito
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Depois do Primeiro Verso
DEPOIS DO PRIMEIRO VERSO
este verso não chegará para a lucidez como
chega a nitidez para o alívio. se digo {é noite
ao canto da boca}, a memória sumarenta cresce
e propicia os peixes que se desintegram do esquecimento
e na imediatez dos estilhaços do momento
vagueiam na extremidade do que poderá
ser descrito como {inconsciência}.
e nele há uma longa viagem de fora para dentro
e de dentro para fora } há sempre uma ferida no
seu orfanato de feridas e a metamorfose é panorâmica
no rebordo do alarme do seu silêncio rolante.
após este verso o poema chegará ao seu porto
porque afinal:
longe da solidão qualquer lugar é um exílio.
Sylvia Beirute
inéditoum outro poema meu {aqui}
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Um poema de Sylvia Beirute - Carbono
CARBONO
parte esta distância ao meio e
separa os meus carbonos e nirvanas e
separa os meus carbonos e nirvanas e
nas aberturas que se formam, entre uns e outros,
coloca-me um daqueles {!} pontos de exclamação
vermelhos em vias de extinção
e que cortam primeiro o pulso e depois
o eco à palavra eterna. } recolhe então
os deuses que da palavra emanam, ou
os do eco nado-morto no seu útero de nuvem, e
dispõe-os sobre a meia volta que o abraço
dá, desde a manhã, até à tarde. {
porque, de resto, na memória não há sentimentos
mas emboscadas que da sua espontaneidade
brotam e voam como algo por acontecer}.
mas emboscadas que da sua espontaneidade
brotam e voam como algo por acontecer}.
as suas palavras, verdadeiras ou não, nascidas
ou inascidas, desfazem o longo muro de silêncio.
ou inascidas, desfazem o longo muro de silêncio.
Sylvia Beirute
inédito
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Um agradecimento
Agradeço o inesperado destaque no blogue Poetas Portugueses do Século 21.
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Um poema de Sylvia Beirute - Outono
OUTONO
{cada vento tem o seu próprio outono
e cada próprio outono tem os seus veios.
cada veio tem o seu coral e este a sua declaração.
cada vento tem, pois, a sua fenda
e cada fenda tem a sua respiração, porque é
insofismável que cada massa de silêncio
corresponde a uma desordem.
cada vento tem, claro está, a sua maneira de ser
porque cada outono transborda, e o resultado
do seu alagar de leito é um pensamento
em potência e ainda sem um mundo de expressão.}
{passam ventos diferentes em outonos diferentes,
respiro leitos de ar diferentes pela porta dos fundos
de uma forma de nexo trémula. lá longe
a arborescência parece indicar um sono profundo
e talvez alguém aproveite para sonhar.}
Sylvia Beirute
inédito
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