De partida para Itália em trabalho (visitarei três cidades em cinco dias) vou deixar o uma casa em beirute em pousio por algum tempo, talvez até sábado ou domingo.
Tem sido, devo dizer, um enorme prazer partilhar alguma da minha poesia, e tem-me surpreendido a recepção e tudo o que tem surgido como sua consequência.
Ainda no outro dia um leitor manifestava alguma preocupação quanto ao futuro deste blogue. Serei honesta: é claro que ele não durará para sempre. É claro que ele faz parte de um momento. E, como diria Vinicius de Moraes, que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.
Até Breve.
NERVO EM FORMA DE HÉLICE
eu não quero o que já é meu. repito: eu não quero
o que já é meu. repito com uma variante: eu não
quero o que será meu. ainda outra: eu não quero
o que será meu por destino. e outra: eu não
quero o que é meu em virtude das leis da república.
e outra: eu não quero o que é alcançável
com uma simples febre e um rosto que simula
alguma beleza com veneno respirável.
e outra: não quero um prazer falso como
a claridade entre pálpebras.
e outra: não quero o meu nome próprio e apelido.
e outra: não quero esta cidade sem sombra
e inocência rítmica.
{quero viver em beirute,
quero viver em beirute, quero viver em beirute}
e outra: não quero uma imagem parada
ainda que os meus olhos sejam imóveis e
tenham visto tudo.
e outra: não quero os meus vinte e cinco anos.
Sylvia Beirute
inédito