SALA DE RESSURREIÇÃO
{ao luís serguilha}
quarta-feira e o coração como caução
de um amor longe e baixo.
transeunte no respirar, os melhores
dias de desambiguação grave e lugares móveis
são no azul comprimido e exausto
desse interior interino de estradas, extensões, e cheiros.
quarta-feira e um morredor emprenhado
com o existencialismo de sartre
e uma estação de culto que se inverte
na indigência da força sorvendo as lá-
grimas para as nuvens e o frio para o sol.
quarta-feira e quero ser outra pessoa
nesta sala de ressurreição,
e enquanto o quero, para depois
o querer muito, ocorre-me que, para
sonhar depressa e em abundância de palavras
e actos a meio caminho de gestos,
é tão-somente indispensável
saber qual a margem de erro.
Sylvia Beirute
inédito

















