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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PORTO EDITORA COMPRA ASSÍRIO & ALVIM



NÃO VEJAM ISTO



Eu avisei.
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PROVÉRBIO IRLANDÊS

A silent mouth is musical.
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PRÁTICA - POEMA - SYLVIA BEIRUTE


















PRÁTICA

amar é o prazer
de derrotar
a liberdade.

inédito
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WIM MERTENS - Z'S RIVAL

ERNEST HEMINGWAY



Um manuscrito de Ernest Hemingway. Trata-se do conto The Battler.
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GRANDE BUM

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POEMA PARA MÁRIO CESARINY - SYLVIA BEIRUTE




POEMA PARA MÁRIO CESARINY


era uma coisa e depois disse que era outra.
tinha uma profissão esquisita.
consistia em desvendar a inspiração no interior da frase.
desvendar mas sem partir.
sem quebrar o passo e o ritmo.
e depois ele disse que via as estrelas das coisas,
todo o cinema e brilho secreto no espaço difuso.
um dia falou-me em paradoxos metafóricos
e eu assustei-me como se visse vísceras
no tabuleiro da vida.
e foi então que comecei a escrever.
peguei numa palavra e depois noutra e depois noutra.
as palavras não tinham grande significado para mim.
eram como pedras e possibilidades.
escrevi um poema. dois. três. muitos.
e um dia ele me roubou as grandes frases e deixou
as miudezas; tirou-me o macroscópio
e deu-me o seu microscópio de uma só lente
para que visse as células e demais estruturas minúsculas.
escrevi um poema sobre mim
com o poder de me fazer uma coisa e depois outra
e depois outra.
hoje pergunto-me quem sou
e de cada vez que o faço
um poema nasce. por si só. como que para o mestre
que nunca dorme em mim.

Sylvia Beirute
inédito
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O LOBO NO REBANHO


















O LOBO NO REBANHO

A lâmina fazia-lhe um bailinho cósmico, suspirando coisas bonitas dos momentos que haveriam de vir. O desejo pressionava-lhe a parte inferior do estômago, prestes a rebentar de antecipação em uníssono com o batuque do coração. Ia parir esse desejo ainda essa noite, baptizá-lo em veludo escuro e cuidá-lo com carinho. Já tinha aprendido o abraço quente do jorrar do sangue e o clímax do poder e do momento em que observava alguém deixar de ser. Após restava a paz e a curiosidade dos olhos que pareciam estar ainda vivos num corpo - numa coisa - imóvel. Depois, a desilusão do fim; Mas antes do fim, o estrebuchar do cordeirinho dava-lhe tanto amor... e ele era sedento por amor, nunca saciava.
Deus criara-nos à sua imagem. O Deus que restava nas mulheres era criar vida. O Deus que restava nos homens - e principalmente nos homens como ele - era o de findar a vida. E ele reinava divino e fiel com um singelo Amém.

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PAULO LEMINSKI SOBRE A LINGUAGEM




O prazer de usar a linguagem é um dos prazeres humanos maiores.

Paulo Leminski
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LA DÉCADENCE POR EDUARDO NOGUEIRA PINTO

Em pouco mais de três séculos, de L'État, c'est moi até ao o Estado Social sou eu.

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JOÃO AFONSO ADAMASTOR - POEMA - PRATO LIMPO




















PRATO LIMPO

come-me sem nunca lavar as mãos primeiro,
não espero mãos puras, nem frias, mas quentes
e prende-me também a língua aos dentes
para que a ausência de palavras vença.
deves comer-me sem me lavar se quer
que a água desfaz o odor dos corpos,
roubando-lhes os sais que se trazem na pele
e que viciam até as almas mais hipotensas.
só regando com álcool é que vês crescer
a saciedade das feridas na boca por sarar,
se me faço de sal também acredito ser punhal
repete quando assim desejares mais sangue.
usa-me e não penses em poupar-me,
só o egoísmo te fará sempre prevalecer
porque é pensar-te outro que faz doer
e esquecendo-te de ti que nunca resistes.
no fim limpa os lábios à carne
feita de açúcar canela café e algodão
mas deixa o prato que se quer limpo,
levando contigo de volta impuras
as mãos soltas e para sempre tuas.

João Afonso Adamastor
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HAROLD HART CRANE - CHAPLINESQUE




CHAPLINESQUE

We will make our meek adjustments,
Contented with such random consolations
As the wind deposits
In slithered and too ample pockets.

For we can still love the world, who find
A famished kitten on the step, and know
Recesses for it from the fury of the street,
Or warm torn elbow coverts.

We will sidestep, and to the final smirk
Dally the doom of that inevitable thumb
That slowly chafes its puckered index toward us,
Facing the dull squint with what innocence
And what surprise!

And yet these fine collapses are not lies
More than the pirouettes of any pliant cane;
Our obsequies are, in a way, no enterprise.
We can evade you, and all else but the heart:
What blame to us if the heart live on.

The game enforces smirks; but we have seen
The moon in lonely alleys make
A grail of laughter of an empty ash can,
And through all sound of gaiety and quest
Have heard a kitten in the wilderness.

Harold Hart Crane
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