Fotografia à Beira-Mar, do meu livro, no blogue O Mar Parece Azeite.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
ESPÍRITO - POEMA- SYLVIA BEIRUTE
ESPÍRITO
e no final de tudo: o que prevalece.
é esta a questão.
quer dizer, o que subsiste e o que quebra
no confronto interno.
é que todas as coisas detêm, em certo momento,
uma voz imprópria.
qualquer coisa própria não é apreendida assim
pelos prenúncios dos actos.
e no final de tudo: o que prevalece.
questiona-me a minha adolescência regressada,
pergunta-me o coração partido
subindo os degraus da memória.
o que prevalece, digo.
e quanto mais o digo, mais resisto à apreensão do frio,
ao instante que perscruta o esquecimento
mais profundo.
Sylvia Beirute
inédito
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poemas próprios
domingo, 11 de setembro de 2011
11 DE SETEMBRO - POEMA
11 DE SETEMBRO
nada a nada.
as quedas geram ausências diferentes.
uma coisa uma não coisa.
um poema um quase poema. isso.
sentido de homenagem, o respeito
de não voltar a fazer o objecto homenageável.
a especialidade rebenta em todos os órgãos.
a porta fecha com o mundo dentro dos
calcanhares que logo impedem a luz negra
de entrar por baixo.
os amanhãs dos hojes. exclamações submersas.
e um poema um quase poema e quem me dera
que fosse como uma vida
impossibilitada de ser um céu ou um paraíso
perdido, mas que deve ser quase isso.
manter-se nisso.
e nada a nada. uma coisa uma não coisa.
um poema um quase poema.
uma vida uma vida.
Sylvia Beirute
inédito
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poemas próprios
sábado, 10 de setembro de 2011
(...) MAIS POEMAS DE "UMA PRÁTICA PARA DESCONSERTO"
Um poema do meu livro "Uma Prática para Desconserto" no Leitoras.SOS.
Outro no #Poesia.
Outro no Allegro Allegorico.
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E mais por aí.
E mais por aí.
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uma prática para desconserto; o livro
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
MARIA QUINTANS - POEMA
um peixe transformou-se em pó.
[o jogo era uma visão da verticalidade do aquário]
na mesa o peixe mordeu
a vela num anzol
desastradamente mole.
[acabam os cigarros e invado-me de fósforos]
é preciso ritmo para desmontar o princípio da impressão
dos símbolos, disse o peixe.
[hei-de dizer que compro sopa em episódios inúteis]
o fumo desliza pelo nariz
e desenho escamas no escuro.
o escuro favorece a pele, disse o peixe.
a sopa come-se em dois tragos.
[trago-te depois o guardanapo]
o peixe fugiu e provocou a
ira da linha.
a linha disparou dois tiros
num carapau surrealista.
o assassino anda a monte.
inédito
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A INTERPRETAÇÃO DOS POEMAS
Aí está o interessante da coisa. Uns poemas têm muitas interpretações, outros, calam. E esses são para mim os de maior valor: os textos que produzem a vocalização do silêncio. Há sempre quem goste e quem não goste, se nos preocupamos com isso construímos monumentos com as pedras que nos atiram ou então, e melhor: fazemos o que o diz o instinto: criar e criar, sem pensar em demasia no futuro, porque este mundo precisa de criações para ser ainda mais verdadeiro, como mencionava o Grande Manoel de Barros.
no facebook
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domingo, 4 de setembro de 2011
MOVIMENTO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
MOVIMENTO
{ao Gavine Rubro}
assim.
assim.
assim.
que movimento é este?
que semiologia do próprio?
que não coincidência com o alvo errado?
que alvo seria?
que perfuração da cabeça?
que efeitos?
que tipo de ausência recolhe a arte?
que lacuna deixada em branco?
que reflexão no prazer intravenoso?
que erro de digitação?
que identidade num discurso de água?
que inalação de riscos e fricção da página?
que conceito fundamental da filosofia chinesa?
assim.
assim.
assim.
que movimento é este?
que acto mais se assemelha à liberdade sem o ser?
que resposta tem um caminho azul?
que tipo de certezas produzem as palavras?
que motivo central possui este poema?
que ideograma elaborado à máquina?
que máquina?
que silêncio?
que respeito?
que nuvem absorve o branco de todas as coisas?
Sylvia Beirute
inédito
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
HUNGRIA - PETER ZILAHY - POEMA - MORRER DE MEIAS
MORRER DE MEIAS
morrer de meias
porque o solo está frio,
posso vestir
um par de meias
e terminar assim;
e assim um fim é
devotamente doseado
porque os sapatos são uma prisão
e não há sequer tempo para pantufas,
somente morrer de meias;
e sinto-me tão em casa,
desperta o amanhecer,
e sobe, sobe alto;
e morrer dentro da acção mais quotidiana
dizer - hey, morro agora e de meias,
incorporando-me,
como que para ir buscar um copo de água
e entrar na morte
em profundo silêncio.
Peter Zilahy
versão de Pedro Calouste
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
UM DIA TRISTE - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
UM DIA TRISTE
eu sei o que é
o que é senti-lo
a que sabe
que cor apresenta nos dias tristes
sei quantas vezes aparece
sei que recolhe a neblina
e olha para mim como se eu fosse alguém
que desse aulas de coração
nas impressões de encantamento
no esquecimento profundo
eu sei que a sua boca é um caderno
invisível
que a sua pós-adolescência
é geograficamente
descomprometida com qualquer
outra coisa outra razão
eu sei que imagina o trânsito e
de certa forma o reproduz
e simula em mim
eu sei as suas maneiras
de estrutura e organismo natural
avançando para o corpo subliminar
simultâneo de outro mais inteiro
eu sei as suas raparigas e os seus rapazes
retratando o mundo suburbano
com a palavra crise e a palavra desimportância
e eu sei o que é
o que é senti-lo
a que sabe
que cor apresenta nos dias tristes.
Sylvia Beirute
inédito
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
POEMAS DE "UMA PRÁTICA PARA DESCONSERTO"
O José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel, publica quatro poemas do meu livro Uma Prática para Desconserto (4águas, 2011). Agradeço a gentileza.
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