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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ENCONTROS IMEDIATOS COM A MATEMÁTICA na «POETRIA»



"Encontros imediatos com a Matemática" / Workshop para crianças dos 6 aos 10 anos


A Matemática não deve ser "uma pedra no caminho". Pode ser, antes, um rio ameno e navegável, uma brisa suave entre neurónios curiosos, uma floresta encantada de segredos a desvendar. Pode até ser Poesia...


«Uma música para dançar» é um conto matemático. Utiliza uma linguagem poética que permite, partindo do sonho e do exercício da fantasia, a reflexão e a produção criativa sobre conceitos matemáticos – após serem discutidos com o rigor que esta disciplina requer.


Animadoras: Eugénia Soares Lopes e Susana Correia

Faixa etária: dos 6 aos 10 anos (podem ser acompanhados por pai/mãe ou avô/avó)


Data: 22. Outubro. 2011, das 16 às 18h.

Local: Espaço Anémona - Trav. de Cedofeita, 62 - Porto

Preço: € 15,00
Informações: 968707303

POETRIA

www.livrariapoetria.com
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

ANTIRUBRIOGRAFIA - POEMA - GAVINE RUBRO

























ANTIRUBRIOGRAFIA

sou tão biografável como uma ervilha violeta.
uma espécie de legume do qual existem mais de seiscentos conjuntos verdes.
de mim o que há a dizer é que sirvo para tanto como um garfo
que sou tão grande como um circulo
e que existo nas gotas de chuva.

sou tão biografável como uma peúga
porque sou uma peça de roupa com pele que vai para lavar todos os dias
que estriça e minga
e mesmo assim prefiro andar descalço: já há aqui algo meu, descaí-me

andar descalço pelo alcatrão sujo das noites
ver nas pestanas a industrialização do assentimento
e dentro dos meus ouvidos vive um elefante-bebé.

tão biografável quanto uma folha
estática elástica e plástica para o chão,
tão biografável quanto um coral
e um fósforo aceso até ao preto da madeira.

potável como o vermelho
estátua como um comboio
independente como um peixe
isto nada e tudo isto:
tão etéreo e vivo
como um poema.

Gavine Rubro
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SONDA ESPIRITUAL - POEMA - SYLVIA BEIRUTE



















SONDA ESPIRITUAL

às vezes as coisas não correm bem. há meia hora atrás tentava escrever algo. 
sem sucesso. agora escrevo por cima. bem, não propriamente por cima, uma vez 
que estamos no mundo do digital, o que nos dá a liberdade de empurrar texto. e é isso que faço. em baixo tenho um texto primitivo em verso. fala numa sonda espiritual, algo mais vivo que um espírito. tem palavras como nicho, arma, orgulho e bala. usa o verbo disparar. diz que disparar é uma forma de partilha. dito assim alguém ficará a pensar no que se perdeu. escrito assim eu valorizo o meu fracasso.

Sylvia Beirute
inédito
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

O POEMA ENQUANTO PARTE NÃO INTEGRAL

é como se o poema em parte não fosse meu, entendes? é como se parte dele fosse meu e a outra parte fosse dele mesmo, do poema enquanto matéria, enquanto unidade independente. é como se houvesse uma luta entre essas duas metades. e o leitor não sabe. o leitor apenas diz que os meus poemas são frios quando se quer referir a esta especial distância que aqui confesso. os poemas unificam fraquezas, lados de nós que não dominamos. e é apenas isso. nada mais.

Sylvia Beirute 
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SARAH VIRGI- CLAUSTROFOBIA - POEMA

























Incrível como Sarah Virgi, poetisa do Algarve, aos 16 anos escreve tão bem. Como diria José Saramago, "dá vontade de lhe bater". Escolhi o poema que se segue. Apreciem.

CLAUSTROFOBIA

Valsa fechada de contornos poupados
Pelos metros da sala que não se alarga
De cantos subtis e contraídos, nos lados
Acentuada como se lá não estivesse ninguém.

Cada vez mais imóvel, a valsa agora
Dançando pela fundura alta, sem saída,
Onde as paredes deixam de ser brancas, a hora
É interrompida pela música que se esquece
De tocar e o passo cada vez mais convida
Os pés a ficar sem responder.

É preciso respirar, desafogar-se do medo,
Esmurrar o tapume cego dos limites,
Gozar cada toque de dedos na nota
Do piano leve, gizando lá fora,
As pautas de uma dança devota
Pela liberdade.

Fracos os que repetem:
Não fales, não grites, não te movas
Enquanto o espaço não o disser.

Sarah Virgi
inédito lido no Intercadências
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domingo, 9 de outubro de 2011

AMAR EM PEQUIM - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

























AMAR EM PEQUIM

seguir as regras do improviso. 
evitar as metáforas. 
o abc imaginário. 
amar em pequim.
e a sucessão de factos.
a sucessão de factos 
faz-me respirar as estranhezas
nos olhos. 
um vazio separa um reconhecimento.
o amor tem aqui a sua pequena reserva. 
a última palavra.
e é abstracto.
e existe em protesto. 
é amar em pequim
com os meus finais tão óbvios.
e uma pequena alteração 
é frequentada por uma
grande alteração.
e o que existe? o que sucedeu ao morador
na minha criatividade?
como sobrevive um amor não criativo?
a tempestade de areia 
também segue as regras
do seu improviso.
a cómoda situação do resto do mundo 
é assinalada
pela cor azul eclecticamente misturada
como o romance entre dois números.
não é possível.
como é possível?
há um pouco de morte aqui
ou então um pouco de felicidade, 
felicidade
em quantidade tão diminuta
que só torna ainda mais presente 
o seu inverso.
pequim é um vírus. 
o seu autodesconhecimento
é a minha arte. 
o meu desprezo pela 
utilidade prévia de todas as coisas.
e sigo as regras do seu improviso. 
evito as metáforas.
o abc imaginário. 
sei amar em pequim.
conheço qualquer lugar.

Sylvia Beirute
inédito
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ECLÉTICO AZUL

No novo programa de rádio da Rua FM, Eclético Azul, de Luís Ene e Gavine Rubro, falou-se de mim e da minha poesia. O número 0 aqui em podcast.
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

UMA LEITURA DE GAVINE RUBRO

O poeta Gavine Rubro faz uma leitura do meu livro, Uma Prática Para Desconserto, no seu blogue. Fica aqui o meu contentamento e agradecimento.
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SEMICORPO AUSENTE- POEMA - SYLVIA BEIRUTE



















SEMICORPO AUSENTE

perguntaram
perguntaram pela minha ausência à minha ausência
e ela respondeu sem modéstias à parte mas com 
uma dificuldade redutiva que de tão grande 
se tornou inalcançável e por isso soberba e arrogante
sim sim estar ausente pode significar arrogância
e eu nem estava cá
por isso quem perguntou 
por mim nem deu de caras com o meu semicorpo de adeus
e máquinas de medição
teve de se contentar com a minha ausência 
sentada numa cadeira vazia
repetindo-se continuamente
falando sozinha
multiplicando todos os movimentos da ilusão.

Sylvia Beirute
inédito
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JOANA ESPAIN - POEMA

De qualidade inquestionável a poesia de Joana Espain.

daqui são dois pés
de substâncias amedrontadas
seguem-se de pequenos
não de sustentarem agudos das gaivotas
a chamar a sombra dos chapéus antigos
às mesmas paredes
mais o quê
não há mais água
a água lembra-se de toda a água que já foi
até voltar a ser-nos
(ouvi o mar ter conversas estranhas com a água dentro de mim
à janela redonda do décimo andar de um navio)
estou envolvida com outra coisa
se é um bicho sozinho no universo
no instante de uma cereja
a imaginar
para passar de me cair
(nem vazios que saibam coser)
caio-me mais do que me quero
onde só precisávamos de ver o chão
muito antes do tempo de dois pés 
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TOMAS TRANSTRÖMER - POEMA - INSEGURANÇA NACIONAL



Já há alguns anos que sigo a poesia de Tomas Tranströmer, tendo publicado neste blogue alguns poemas desde poeta sueco, agora Nobel da Literatura 2011. Não me parece ser um poeta muito acessível para a maior parte da massa crítica em Portugal, com a  bitola que se conhece. Em geral, não sou muito adepta de prémios literários (nunca concorri a nenhum), mas este Nobel (e alguns blogues e bloguinhos agora armam-se em grandes conhecedores e entendidos) foi para mim muito importante. Cheguei a falar sobre este autor a alguns supostos experts que me exclamavam um "epah...pois...e tal". E agora vejo esses em grande elogios ao autor. Conclusão: por cá não se sabe muitas vezes separar o trigo do joio, o jogo é outro. Mas não faz mal. Mais cedo ou mais tarde....


INSEGURANÇA NACIONAL

O subsecretário se inclina para frente e desenha um X
e as suas orelhas gotejantes balançam como espadas de Dâmocles.

Como uma borboleta sarapintada é invisível contra o chão
e então que o demónio se funde com o jornal aberto.

Um capacete usado por ninguém tomou o poder.
A mãe-tartaruga foge voando debaixo de água.

TOMAS TRANSTRÖMER
tradução inédita de Pedro Calouste
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

COISAS POR AÍ

O Filósofo e o Fanfarrão é um dos blogues que tem publicado a minha poesia, a quem agradeço, até pela exigente escolha de autores. Aqui uma pergunta intacta na sombra de minha porta
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

RESOLUÇÃO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

















RESOLUÇÃO

{ao Pedro Barros, com verdadeira admiração}

agora escreve um poema bonito.
e daqui a pouco
olha para uma coisa desagradável.
agora constrói uma janela no poema
com vista para uma coisa compreensível.
vale a pena olhar.
o tempo aqui é instrutivo,
os olhos parecem formar um outro limite, um
limite mais elegante, sem pausas
e que se autotranspõe.
agora a sua profundidade afunda-se em ti.
os teus olhos alcançam a segurança
de um videopoema, as imagens
contêm as ilusões do mundo 
e ainda se propõem à sua adolescência.
agora é tudo muito confuso,
a resolução das coisas nunca foi tão nítida.

Sylvia Beirute
inédito
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