Subscribe

RSS Feed (xml)

Powered By

Skin Design:
Free Blogger Skins

Powered by Blogger

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

DESERTO URBANO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE


















DESERTO URBANO

se me derem um deserto para viver.
do deserto selecciono a minha independência
para ver ao longe aquilo que ao perto
já não amanhece.
e no grande livro do nada 
uma conjunção avermelhece
como estrutura transitiva, 
como massa de água que resolve as luzes
e ainda assim ilumina todas as raízes.
e por fim desejo não ter de escolher as palavras.
que os dias sejam levados com os astros.
que o meu segredo seja um exercício infinito,
mapa para nenhuma coisa.
.
Sylvia Beirute
inédito
.

TU NUNCA FOSTE UM ANÚNCIO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

























Para os viciados, está aqui um poema novo:

TU NUNCA FOSTE UM ANÚNCIO

tu nunca foste um anúncio
nunca vendeste nada
nem sequer o teu amor

tu nunca tiveste qualquer pequena coisa
à prova de bala
tu nunca escreveste coisas simples
{coisas como eu gosto de ti
ou és especial}

tu nunca foste uma resposta
e talvez por isso te perguntei
tanta coisa.

Sylvia Beirute
inédito
.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PERGUNTEMA - GAVINE RUBRO - POEMA

PERGUNTEMA

{à Sylvia Beirute
& Luís Ene}

quantas cores tem o céu?
quantas metáforas
insere a palavra poesia?
quantos corações
vivem num só?
Quantos surrealismos
ainda respiram?
que sentimento
absorve o negro do ódio?
quantos poetas dizem
«dada»?
quantas facas tem cada boca?
e quantos dentes a faca?

como se conjuga o vermelho?
qual a velocidade dos sonhos?
onde mora o branco da folha?
quantas páginas tem
a palavra esperança?
quantas mentiras
para acabar o mundo?
e verdades para o seu
renascimento?

onde está Portugal?
em que corpo vivem agora
os grandes poetas do passado?
quantas hienas
num elogio?
qual o boomerang
da frontalidade?
onde param os bons livros?

quem morre hoje?
qual o Deus físico?
que palavra maior
que todas as outras?
que pseudónimo
sem corpo?
e que corpo
de nome verdadeiro?

o que se esconde debaixo
das folhas caídas?
com que proteger
as árvores nuas outonais?
que estações
para a destruição?

que crepúsculo escuro?
que inercia se move
nestas linhas?
que poema é este?!

Gavine Rubro
inédito lido na Célula Rubra
.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CINDERELA - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

























CINDERELA

cinderela na rua do mundo.
doces olhos vezes baixinho.
a escrita sobe pelas escadas.
as páginas são sempre a próxima página.
todas as pessoas estão no lado direito
das suas opções.
o corpo já não contém cinderela
na rua do mundo.
há pontos do meio em forma
de poesia inglesa.
as pessoas salvaguardam o seu património.
desaparecem palavras belas daqui.
é meia-noite mas há muito
que anoiteceu.
a neurose intelectual está diante
do meu último capítulo.

Sylvia Beirute
inédito
.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

QUIRAL - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

























QUIRAL

street street street street street street street street
street street street street
street street street street street street street street
street secret street street
street street street street street street street street
street street street street
street street street street street street street street
street street street street
street street street street street street street street
street street street street
street secret street street
street street street street street street street street 
street street street street

um segredo murmura do outro lado
do silêncio
como um pássaro que silencia o ar.

Sylvia Beirute
inédito
.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A DIFERENÇA ENTRE A DITADURA E A DEMOCRACIA



A diferença entre a ditadura e a democracia é que na ditadura roubam poucos, na democracia roubam muitos.

S.
.

ANTUÉRPIA, PARIS OU ISTAMBUL - POEMA - ISTAMBUL

























ANTUÉRPIA, PARIS OU ISTAMBUL

muito conhecimento e estou a morrer.
muito conhecimento para quê?
onde coloco o conhecimento?
onde poderá ele continuar a crescer a partir
desta base?
em que corpo?
muito conhecimento e estou a morrer.
o meu pai veio visitar-me.
os meus irmãos estão de mãos dadas
à volta de mim.
fazem um cordão à volta de mim.
muito conhecimento matemático me surge.
que coisa absurda.
que coisa sem sentido ou lógica.

muita emoção depois de morrer.
{a minha tosse parou}
muita emoção para quê?
onde colocam os meus familiares e amigos
tanta emoção?
onde a esconderam antes?

e eu ainda estou presente.
eu sorrio. gesticulo e faço auto-regressos.
ninguém me consegue ver.
talvez dê um pulo a antuérpia daqui
a pouco. ou paris. ou istambul.
sempre adorei viajar.
agora posso voar.

Sylvia Beirute
inédito
.

domingo, 6 de novembro de 2011

DIANTE DO MUNDO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
























DIANTE DO MUNDO

diante do mundo,
ele exclui a fuga possível, a numeração
das palavras
como soma da simplicidade. é impossível 
recordar
quando se ouve outra música.
(a distância é uma garrafa que tenho
na barriga).
diante do mundo, ele procura o silêncio
dentro da legibilidade.
e os dias são os mesmos,
excepto a sua removabilidade,
excepto a susceptibilidade de podermos tirar
uma coisa e depois outra e outra
e outra.
daqui a pouco, diante do mundo,
direi o indizível
com as palavras que ele me tirou
(e que aparecem na minha garrafa)
e será ainda e sempre
diante do mundo, na nudez que o observa
igualmente.

Sylvia Beirute
inédito
.

GISELA RAMOS ROSA - POEMA - QUANDO NASCI VOLTEI A REAPRENDER A TRADUZIR O MUNDO

























Merece muita atenção a poesia de Gisela Ramos Rosa, sobrinha do poeta António Ramos Rosa, grande vulto da poesia portuguesa e do mundo.

QUANDO NASCI VOLTEI A REAPRENDER A TRADUZIR O MUNDO

Quando nasci voltei a reaprender a traduzir o mundo maior em que nascia e aquele
primeiro mundo pele de minha mãe,

Era a luz voltando a entrar em relevo pelos olhos sem que
a memória anterior se tivesse extinguido

tradução e agenciamento, fluência e água amadurecendo a observação
reintegrei os gestos as formas e abri um aqueduto livre no coração
onde guardei em segredo imagens originais

compreendi que na folha em branco os espelhos se podem confundir
com a rigidez do olhar onde as pedras se fixam,
assentei o verbo na tradução das manhãs anteriores
da primeira pele descobrindo as camadas do Livro
com o brilho inquieto do real sobre as mãos

Gisela Ramos Rosa
inédito lido no blogue A Linguagem dos Rostos
.

sábado, 5 de novembro de 2011

RÚSSIA - GUENNÁDI AÏGUI - POEMA - MAIS UMA VEZ NA NEVE

























MAIS UMA VEZ NA NEVE

e então trauteias uma canção e eu me afasto
lentamente na neve (é como no passado: o corpo
que se evapora na penumbra,
em qualquer lugar cada vez mais distante);
uma tábua de madeira partida está lá fora,
lá entre o que sobrou
de uma cabana abandonada (cantando, sussurrando,
e chorando há muito tempo - e ao que parece
isso para a felicidade é bastante) e mais ao longe
a floresta
como
nos meus sonhos
abre-se - e começas a cantar
(embora fosse já indesejável,
uma vez que tudo acabaria)
tu prossegues cantando
(amadurecemos como uma eternidade profunda
que resplandece já sem nós)
tu continuas
cada vez mais surdamente
a cantar

Guennádi Aïgui
Versão livre de Pedro Calouste
a partir do francês


ELBERT HUBBARD

Foi sempre um mistério para mim o facto de as pessoas gastarem tanto tempo enganando-se deliberadamente a si mesmas, fabricando desculpas de modo a encobrirem as suas fraquezas. Caso fosse usado de uma outra forma, esse tempo serviria para curar essas fraquezas e aí já não seriam necessárias essas desculpas.

Elbert Hubbard

LUGARES-COMUNS

























LUGARES-COMUNS

O problema das coisas simples é que se tornam, mais tarde, lugares-comuns. No outro dia lia uma entrevista dada por Pedro Pinto (conhecido jornalista português e que está a ter uma carreira extraordinária na CNN - agora em Londres) em que este dizia que temos todos de dar as mãos, trabalhar mais e, sobretudo, trabalhar em conjunto. Claro que todos nós já ouvimos isto dezenas de vezes. E tantas vezes que é o tipo de discurso que quase entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas são as coisas simples, as coisas de base (estes lugares-comuns) que fazem cada vez mais sentido, especialmente numa época de crise. Creio que falta, de facto, que muita gente com responsabilidades se sente à mesa e diga: "o tema da nossa reunião é: como é que podemos produzir mais? Como é que podemos criar riqueza?". E o problema (e a inércia irrita ainda mais) quando vemos comissões parlamentares de inquérito como aquela que trouxe o ex-secretário de estado Paulo Campos ao Parlamento para discutir algo que não aquece nem arrefece aos portugueses. Será que aqueles parlamentares que lá estiveram a debitar perguntar e em acções de pseudo-indignação (veja-se o caso do Bloco de Esquerda que até abandonou a sessão, e o Partido Comunista que próximo disso ficou) não tinham mais nada com que ocupar o tempo? Onde é que está o apoio à indústria? Que programas existem? Onde estão os apoios, especialmente a nível fiscal, que façam com que as nossas empresas consigam sobreviver? O que se está a fazer para manter ou aumentar os números do nosso turismo?
Há que voltar aos bons lugares-comuns. Encetarmos uma nova forma de fazer política em Portugal. Darmos as mãos em prol de mais e melhores oportunidades para os nossos agricultores, os nossos empresários, os nossos cérebros (e não estimular a sua fuga, como a semana passada um secretário de estado do actual governo fez). Não vejo isso na política actual. Talvez a arte e os artistas tenham uma palavra a dizer neste estado de coisas. Vou pensar no assunto.

Sylvia Beirute
.

COMO IMPLICAR A ÍNDIA NA CRISE EUROPEIA



















É ir a um restaurante indiano e pedir um "papandreou" e ver o que acontece.
.