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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O DIA DE REIS E AS ROMÃS

Creio que a palavra crise e a palavra superstição andam, por vezes, de mãos dadas. Dizem que no Dia de Reis convém ter romãs em casa para que haja prosperidade para o resto do ano (e também saúde, paz e amor). De todo o modo, mesmo para quem não acredite nestes dizeres populares e nesta tradição, sempre se pode dizer que a romã, rico em vitaminas A, C e E, é um fruto que faz muito bem à saúde. Dizem até que o consumo frequente reduz até 30% o risco de enfarte, entre outros benefícios.

CIDADE-RAPAZ - POEMA - SYLVIA BEIRUTE

















Escrever poemas eróticos de qualidade é muito difícil. Mas sinto-me imensamente feliz com o que exprimi neste poema. 

CIDADE-RAPAZ

quero viver contigo 
numa cidade-rapaz
e jantar num restaurante situado no ombro
talvez mais tarde um passeio pelo peito
esconder-me contigo na floresta do peito
oh mas nunca conhecer 
esse rapaz que é cidade
nem o seu coração que bate como trovoada
a sua insanidade saudável
mas no final do dia 
quero deitar-me contigo
ouvindo a sua respiração suave
{entrando na sua respiração aí suave}
e falar para esta cidade 
em forma de corpo indecente
esperando suas reacções mais espontâneas
seus sonhos mais nefastos
e quando a cidade acordar 
fingir-nos-emos 
mitológicos como a dissolução
dos cúmplices
e viveremos atrás dos olhos
num interstício da alma.

Sylvia Beirute
inédito
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ENTARDECIMENTO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE



















ENTARDECIMENTO

nada pior do que entardecer
na infância de qualquer pequeno nada.
não soube guardar a criança.
não soube iluminar o silêncio
com palavras anónimas.
é uma espécie de lado inverso
da felicidade (o lado mitológico das 
cidades, como diria al berto).
e eu fi-lo.
vivi intensamente e fabriquei coisas
com palavras que também elas
viviam intensamente.
e entardeci como o retrato que envelhece
com o rigor do tempo,
com o lado didáctico da questão séria. 
e a criança apareceu hoje, vi-a no sorriso
de uma outra, feliz, muito feliz.

Sylvia Beirute
inédito
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LUÍS MONTENEGRO, A MAÇONARIA E A LOJA MOZART



Algo vai muito mal na política quando esta deixa de ser transparente. Não me parece que o exercício de um cargo político (ainda para mais um cargo político de relevância nacional) seja compatível com a simples presença ou a qualidade de membro em organizações secretas (ou discretas, como eles dizem usando o eufemismo). É algo que atinge os pressupostos da vida pública e com consequências negativas na relação entre as instituições do estado e os cidadãos. Quem decide escolher o caminho da vida político-partidária tem necessariamente obrigações. Não é admissível, numa questão que está longe de ser da vida meramente privada, que um político como Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, e supostamente pertencente à Loja Mozart (loja maçónica), se dê ao luxo de não responder à perguntas que lhe são dirigidas acerca desta ligação. E digo que não é da vida meramente privada uma vez que os tentáculos destas organizações são bem conhecidos, estabelecendo-se em muitas questões acima das instituições ditas oficiais. E que tal se o primeiro-ministro se pronunciasse acerca desta questão? E se fosse o primeiro-ministro que pertencesse à maçonaria? Quem controlaria o estado afinal? Em quem votaríamos?
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SAM RIVERS (1923-2011)



Fuchsia Swing album, same song. Personel: Sam Rivers: Tenor Sax Jaki Byard: Piano Ron Carter: Bass Tony Williams:Drums
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domingo, 25 de dezembro de 2011

FORMA DE FICAR - POEMA - SYLVIA BEIRUTE


























FORMA DE FICAR

os estilhaços formam números.
como se eu não pudesse falar de outra coisa
ou de outra
forma de ficar.
eu posso queixar-me a cada minuto.
eu posso ser o centro do meu universo
a cada minuto.
sentir a falta de paulo leminski.
e os estilhaços formam números porque
os procuram.
assim como o silêncio procura uma palavra
que o cale para sempre.
i am done with it.
i just don't care, you know?
done. done com a forma de ficar
e de provar o dilúvio.
done with my own elements 
que não
afluem a qualquer outro sono
maior na véspera 
de um mundo novo.

Sylvia Beirute
inédito
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sábado, 24 de dezembro de 2011

POEMA DE NATAL - SYLVIA BEIRUTE

























POEMA DE NATAL

de boca em boca o fulgor obsessivo 
das horas do poema de natal subindo e singrando 
na pergunta que descobre e alcança 
o fim de qualquer rua 

e furtivamente de tempos em tempos 
a memória desce à sede que tenho de ti 

e é como se o nosso natal sempre ali tivesse estado
ali na insónia adolescente e à lareira
desembrulhando os presentes
e todos os nossos sorrisos & segredos.

Sylvia Beirute
.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

BANDEJA COM ESTRELAS - POEMA - SYLVIA BEIRUTE






















BANDEJA COM ESTRELAS

num rosto não cabem dois.

que as coisas tenham para nós
uma perduração
e que emendem a revelação
das reentrâncias.

proibo-te à infância.

a minha voz
ilumina a palavra não.

que este silêncio seduza
a tristeza que nos
desmerece e que entra no fulgor
desnecessário
da nossa separação infinita.

e no final de tudo está sempre
o melhor início.

numa bandeja de estrelas.

que as coisas tenham para nós
uma perduração.

que a morte se deixe ficar
onde está.

Sylvia Beirute
inédito

O meu livro Uma Prática para Desconserto em wook.pt.
 .

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ECLÉTICO AZUL



Perdoem-me a ausência. Actualizo o blogue para dizer que hoje o programa de rádio (RUA FM) Eclético Azul será, segundo consta no blogue, "exclusivamente dedicado à poesia de Sylvia Beirute". Fiquei curiosa.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ADRIANO WINTTER - POEMA - CÉU ÉBRIO

























Recentemente pude ler alguma da poesia do poeta brasileiro Adriano Wintter. Deixo a sugestão. 

CÉU ÉBRIO

bebeu
todo vinho
suave da noite
quebrou
sua taça
infinita de estrelas
e acordou
solarmente na rua
com bandos de aves
no terno azul


Adriano Wintter
in Revista Eutomia

ADRIANO WINTTER Nasceu em Porto Alegre/RS. Foi vencedor do Femup 2010, com o poema "os átilas", e integrou sua antologia. Tem outros poemas publicados nas Revistas Germina, Aliás e no Jornal Poesia Viva.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BRASIL: SOLIVAN BRUGNARA - POEMA



O Brasil sempre esteve muito próximo da minha poesia. Há uns anos que estabeleço relações muito próximas com alguns poetas brasileiros. O meu livro inclusive teve algum destaque no Brasil, tendo ido alguns exemplares para o outro lado do Atlântico. É sempre interessante quando algumas pessoas que respeitamos escrevem sobre aquilo que fazemos. Por vezes vêem coisas que, aquando do nosso momento criativo, nós não pensamos, o que se torna muito gratificante, influenciando a nossa criação futura (falo por mim).

O poeta brasileiro Solivan Brugnara escreveu sobre a minha poesia de forma muito certeira e, sobretudo, muito original, em forma de poema, um belo poema como há muito tempo não lia um. Revejo ali um pouco do meu poema Aviso (in Uma Prática para Desconserto, 4águas, 2011) mas com uma dimensão completamente diferente.

Chama-se Diretrizes Para um Poema ao Modo de Sylvia Beirute, e pode ser lido no blogue do poeta. 
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MISE EN SCÈNE - POEMA - SYLVIA BEIRUTE


















MISE EN SCÈNE

a percepção é que é o poema.
as palavras 
não funcionam como um todo.
existe um verso 
em trânsito que
vai consumindo todos os outros.
que vai de dentro para fora.
e é ele verdadeiramente 
que chega
aos olhos da leitura.
ele e só ele.
não existe isso do poema.
a percepção 
é que é o poema.
e a percepção pode ser um pedaço
de silêncio dividido em dois
ou um espelho de memória
ou um animal mal domesticado.
estou a ver. sim.
e talvez resida aí a dificuldade 
de toda a poesia.


Sylvia Beirute
inédito
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PIOLHO, REVISTA DE POESIA - NÚMERO SETE - CRÍTICA LITERÁRIA



Há tempos recebi um convite para participar em dois números da Revista de Poesia Piolho. A primeira das minhas participações concretiza-se neste número sete, dedicado à crítica literária. Escrevi um artigo sobre um livro que ganhou um Prémio Literário na Madeira. Quem adivinhar o nome da obra e do poeta recebe um livro meu de prenda de Natal.

PIOLHO Revista de Poesia (na  Pluralcores tipografia)
 
«O crítico enquanto artista falhado é uma figura
vulgar» Spephen Vizinczey

 
Rodrigo Miragaia (ilustrações), Carlos Nogueira, Rui Azevedo Ribeiro, Francisco Félix, Sylvia Beirute, Sílvia C. Silva, Maria Conceição Caleiro, Pedro S. Martins, A. Pedro Ribeiro, Ricardo Marques, Amândio Reis, Rui Tinoco, Humberto Rocha, A. Dasilva O., Nuno Brito, Pedro Jofre, Fernando Esteves Pinto, Hugo Pinto Santos, Renée Brock, Henrique Manuel Bento Fialho, Sérgio Almeida e António S. Oliveira
 
fazem mais ou menos por esta desordem este
número
o sétimo Novembro 2011
Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O
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