Subscribe

RSS Feed (xml)

Powered By

Skin Design:
Free Blogger Skins

Powered by Blogger

terça-feira, 20 de setembro de 2011

POEMA QUE COMEÇOU COMO SENDO DE SYLVIA PLATH - SYLVIA BEIRUTE


























POEMA QUE COMEÇOU COMO SENDO DE SYLVIA PLATH

este poema começou por ser de sylvia plath.
e pouco depois deixou de o ser.
não, já não era sylvia plath.
senti-o mais como um ferlinghetti, ou então
um hölderlin.
sim, até podia ser um hölderlin.
mas não tinha a certeza absoluta.
tentei espreitar para saber se podia ser
de manoel de barros, mas não vi qualquer
humanização bizarra.
perguntei ao meu editor, fernando esteves
pinto, se seria seu. e a resposta foi negativa.
liguei para ricardo domeneck, em berlim
e de viagem para lisboa para o festival epipiderme.
ele ouviu-o no meu português de tímido sotaque
e citou dois ou três nomes estrangeiros
que não consegui decorar.
mas pouco depois senti o poema como meu,
como se todo o sentimento tivesse descongelado.
como a minha contemporaneidade.
{é, talvez eu seja o último ponto
da minha própria contemporaneidade.}
e todas as minhas palavras pareceram de novo minhas
como se nunca tivessem deixado de o ser.

Sylvia Beirute
inédito
.

3 comentários:

  1. gostei da suave ironia deste poema e da sua falsa ingenuidade, pelo menos foi o sabor que senti no embotamento dos sentidos.

    ResponderEliminar
  2. este é daqueles que se leem com um sorriso.

    ResponderEliminar
  3. outubro : os corvos do meu céu



    luminárias devem cintilar
    a solidão da noite
    de luz insólita

    antes de cair dos céus
    olharia as sombras
    das tormentas

    - transformadas em sonhos -

    mas deixo
    que o falso dia
    penetre pelas fenestras
    volitando pigmentos
    pelos lábios petrificados

    exponho
    um seio da face ao sol
    elevo-me à razão do pulso
    que acelera (a)o ritmo dos passos
    até o último instante

    tão tênue
    que eu passo
    a desafiar o tempo
    do vento mais antigo
    e intrigante

    ouço dizer que os anos
    podem alterar rumos
    e muitos anos - o horizonte -

    o olhar que arremessei
    aos céus nesta noite
    não (a)tingiu o coração



    www.escarceunario.blogspot.com

    ResponderEliminar