PERGUNTEMA
{à Sylvia Beirute
& Luís Ene}
quantas cores tem o céu?
quantas metáforas
insere a palavra poesia?
quantos corações
vivem num só?
Quantos surrealismos
ainda respiram?
que sentimento
absorve o negro do ódio?
quantos poetas dizem
«dada»?
quantas facas tem cada boca?
e quantos dentes a faca?
como se conjuga o vermelho?
qual a velocidade dos sonhos?
onde mora o branco da folha?
quantas páginas tem
a palavra esperança?
quantas mentiras
para acabar o mundo?
e verdades para o seu
renascimento?
onde está Portugal?
em que corpo vivem agora
os grandes poetas do passado?
quantas hienas
num elogio?
qual o boomerang
da frontalidade?
onde param os bons livros?
quem morre hoje?
qual o Deus físico?
que palavra maior
que todas as outras?
que pseudónimo
sem corpo?
e que corpo
de nome verdadeiro?
o que se esconde debaixo
das folhas caídas?
com que proteger
as árvores nuas outonais?
que estações
para a destruição?
que crepúsculo escuro?
que inercia se move
nestas linhas?
que poema é este?!
Gavine Rubro
inédito lido na Célula Rubra.
? Eis o sinal essencial. Sem respostas possíveis ou plasíveis.
ResponderEliminarOOOPS! plausíveis... lapsos...
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