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terça-feira, 6 de julho de 2010

Um poema de Sylvia Beirute - A Gravidade da Existência Simples


















A GRAVIDADE DA EXISTÊNCIA SIMPLES

não trates o teu poema como uma criança. ele é autoconsciente. 
sabe o que quer. conhece a gravidade da existência simples, 
carrega-a por ti se necessário, ignora-te. ele poderá ter pontos 
de injustificação, ele supõe coisas, poderá albergar um fugitivo 
numa das intimações, alguém que chama imaginação a tudo o que 
desaparece e renasce indelével como o balanço de um erro bom; 
pois que o teu poema poderá saber mais do que tu, e além disso 
essa pessoa que foge poderá encontrar uma outra, quem sabe uma 
esquecida mas com a certeza que os poemas que rimam choram 
sem lágrimas {porque não há lágrimas iguais, não há lágrimas que 
caiam exactamente no mesmo lugar}. e esta última pessoa poderá 
também encontrar uma outra, um poeta daqueles raros como o 
ginsberg ou o ferlinghetti, ou então alguém como astor piazzolla ou 
marikel lahana, pessoas que realizam vaidades, desconhecem a 
quantidade do necessário, e procuram a última maneira de viajar 
sem o risco do absurdo, celebrando o seu objecto sem aceitar 
a verdade dos olhos.

Sylvia Beirute
inédito

1 comentário:

  1. Passeando por aqui, gostei muito do seu blog. Lindas e profundas suas poesias. Estou te seguindo.
    abraços e parabéns!
    Adir (http://queroquevoceleia.blogspot.com/)

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