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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POEMA PARA ANDRÉ KERTÉSZ - SYLVIA BEIRUTE




















POEMA PARA ANDRÉ KERTÉSZ

o mundo verde de andré kertész: aqui 
tão desperto, tão seguro, tão reproduzido na extensão 
do estudo que o seu copo inaugura; o mundo com sede 
desflorando o espelho das pessoas que no outro lado do vidro
edificam a sua idade com gabardinas, 
cigarros electrónicos no interior de aviões, as mesmas que 
procuram o diâmetro do sol, a lucidez do consumo
em órbita consoante a imediatez das notícias 
que as fazem rolar como uma garrafa sem planos e
dentro da violência do vento e do poder de 
uma imagem; e aqui, andré kertész: a beleza da pretensão 
de ser outra, acumulando verde, imune ao silêncio,
conhecendo-me antes do meu corpo mil-nove-
-sete-nove, mil-nove-sete-nove e tempos afins.

Sylvia Beirute
inédito

André Kertész (Budapeste, 2 de Julho de 1894 – 28 Setembro de 1985) foi um fotógrafo húngaro conhecido pelas suas fotos-conceito, próximas do ensaio fotográfico. O seu estilo pouco ortodoxo levou-o posteriormente ao movimento dadaísta. O facto de ser judeu fê-lo, pela ameaça da Segunda Guerra Mundial, emigrar para os Estados Unidos da América. Dedicou-se, por outro lado, ao fotojornalismo. A fotografia que ilustra o poema, datada de 1979, é de André Kertész.

1 comentário:

  1. olá,

    será um soneto, sylvia. sendo-o ou não - maravilha!

    beijos e abraços

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