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sábado, 23 de julho de 2011
A MORTE DE AMY WINEHOUSE (e Back To Black)
não deixa de entristecer a morte de alguém tão jovem, por volta da minha idade. sempre gostei de ouvir o "rehab", "back to black" ou "valerie". o desaparecimento da amy winehouse dará novos significados a essas canções. que a estrela descanse em paz.
BACK TO BLACK
He left no time to regret
Kept his dick wet with his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry, get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked, I'll go back to black
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
I go back to us
I love you much
It's not enough, you love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
Black, black, black, black
Black, black, black...
I go back to
I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black
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Kept his dick wet with his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry, get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked, I'll go back to black
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
I go back to us
I love you much
It's not enough, you love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
Black, black, black, black
Black, black, black...
I go back to
I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
ANA BRANCO - SILÊNCIO
Silêncio... from Ana Branco on Vimeo.
Sou uma seguidora das curtas metragens de Ana Branco, perita que é em captar cenários urbanos e suburbanos. No vídeo que acima publico é mostrada uma segunda Lisboa, uma Lisboa sobrevivente, agarrando a tradição com as duas mãos, conservando a melancolia das gentes, inspirando quem passa.
Edição: Ana Branco e Rui Lourenço
Imagem: Carlos Porfírio e Ana Branco
Som: Filipe Tavares e João Santos
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POEMA PARA RENAN NUERNBERGER - SYLVIA BEIRUTE
POEMA PARA RENAN NUERNBERGER
dislike it. o corpo está numa cidade inexacta
espalhado por trinta e dois poemas. cada poema
está equidistante do corpo.
a impossibilidade adquire a graça do segredo
e a música prolifera na água.
dislike it. e diz agora diz simplicidade
nas afirmações que se tornam
experiência. que o futuro é um compêndio de estilo,
o meu estilo é um compêndio de futuro,
o meu compêndio é um futuro de estilo
próximo da cidade incisiva e com sede.
e tu dizes dislike
de toda a página que encobre
os poemas que são mesmo poemas,
a velhice que se encerra na beleza dos dedos,
enquanto as palavras dão lucro
e fazem um homem rico quando em silêncio,
quando flutuando às claras sobre as cabeças pensando
a mais inconfundível devolução.
Sylvia Beirute
inédito
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
O ÚLTIMO POEMA SOBRE AS PALAVRAS - SYLVIA BEIRUTE
O ÚLTIMO POEMA SOBRE AS PALAVRAS
as palavras sabem todas ao mesmo. a esta solidão aberta ao meio
por uma tristeza estética. onde estou? onde influí
na capacidade de reparar o erro? rasguei a página
para ocultar o erro. as palavras servem para provar a outras palavras
que aquelas e estas sabem ao mesmo.
e se na mesma tarde, se na mesma lambida, se debaixo dos mesmos cotovelos.
as palavras influem na minha capacidade de perder as capacidades
que engulo e sinto. o corpo cerca o impossível. a poesia é uma coisa do corpo.
nada mais. tão regional e irregular quanto um estômago, uns seios, um pénis.
e são as suas deformações, contudo, que a elevam ao nível da cabeça.
como um objecto lúcido. como uma voz que vem de cima.
e há um todo algures. um bloco que nada tem de ver com palavras.
se estão estas, podiam estar outras palavras ou olhos vivos
como o nexo mais primitivo. não importa. assim como em vez
de estarem dedos podia estar o queixo. porque tudo toca.
tudo o que tem expectativa e pele. e o poema tem pele.
a matéria da pele é o seu ímpeto, o seu maquinismo emocional.
os bons poemas dispensam as palavras
como alguém que diz adeus.
Sylvia Beirute
inédito
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MESMO POEMAS: ANTOLOGIA DE POESIA DE RENAN NUERNBERGER
Sempre gostei muito de antologias de poesia. Remetem-me para caminhos logo de seguida contrariados por outros, anos tão diferentes no espírito, quando não maneiras de escrever recortadas de uma forma não inteiramente igual. Por isso, é com enorme prazer que leio um livro como Mesmo Poemas, antologia de poesia de um poeta brasileiro jovem (São Paulo, 1986) mas com uma rara maturidade, notando-se um cuidado natural (no sentido de nunca forçado) na redação de uma poesia de grande qualidade e que se situa entre os pólos do lírico e do contemporâneo e inovador. Esse poeta é Renan Nuernberger e este Mesmo Poemas reproduz a poesia escrita pelo autor entre 2006 e 2010.
NESTA RUA O QUE VEJO
Nesta rua o que vejo são
homens, mãos de estranhos
gestos, sem manchas os
sapatos e o terno
(remetem-me àquilo
que penso, esses homens:
é deixá-los sozinhos
que as taras se enervam
e do cóccix a mostra
recriam o sexo, outros
bebem o defunto, ganham
o sorteio, outro cega,
outra caga, esses
gomos de gente seguem
como, se livres, fossem
inteiros) de linho tramado
a compor-se no corpo
como, se carapuça,
caminhassem juntos.
*
DISCURSO EM PÓ
Em tempos de solavanco
Depositam-se esperanças
Na inércia.
Diante de imensa escassez
Só o excesso submerge
Válido.
O universo — para olhos
Crédulos — recompõe-se:
Astros celestes continuam
Suas revoluções e bactérias
Proliferam-se na água.
O universo — não
O humano — recompõe-se:
Não haverá de memória
Da carne morta
Nem um suspiro, nem um soco.
*
POEMA DE AMOR
o coração saltava-lhe da boca
embora os tempos não fossem de lírios
embora os tempos não fossem de azálea
o órgão exposto servia-lhe de ornamento
causando em sua amiga um espesso vômito
embora os tempos não fossem orgânicos
Poemas de Renan Nuernberger
em Mesmo Poemas (Ed. Selo sebastião Grifo)
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
E AGORA EU - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
E AGORA EU
e agora eu quero
eu quero para depois não querer
seguir o telefone por uma cidade
a língua de fora morre na ligação mas é sempre
a língua de fora
porque o corpo é objecto do tempo
e eu agora quero
mas não quero para depois querer
existir no corpo inabitado
nada mais me absolve
senão o silêncio em pleno voo
este corredor antigo que atravessa o escrito
o passado que lido é uma volta
a fracção de segundo
e agora eu sou alheia à imobilização do desejo
sobre cada sorriso
sobre cada noite
sobre cada pequena morte
que se liquidifica na insónia e na lembrança envolta
numa espécie de melancolia interna
que parece furar a nuvem de fumo
a vontade de ser um aqueduto
uma ponte
uma raiz vertiginosa
um pousar de cabeça
depois de um raciocínio complexo
e agora eu quero
eu quero partilhar um segredo
com as palavras que o suportam
escrever no inferno
enlouquecer bela e feliz.
Sylvia Beirute
inédito
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
POEMA - SOLIVAN BRUGNARA - RELOJOARIA
Muito visceral este poeta brasileiro, Solivan Brugnara, com quem me identifico bastante. A sua poesia, como o poema que aqui coloco ilustra, é feita de tempos e espaços em cruzamento, novas precisões e matemáticas. A poesia escorre de um lugar longínquo até ao momento presente, por vezes para lá dele, nas suas costas. Os desencontros destes poemas vão formando, no livro Encantador de Serpentes e também no In Coerências, novos sistemas de identificação do eu poético ou do interlocutor, saques subtis para a abstração da alma e do corpo.
B. Relojoaria
Impossível saber que horas são numa relojoaria,
discordantes, vaidosos, pretensiosos
os relógios marcam horas divergentes.
Faz anos que libertei meu braço desta coleira,
detesto mesmo os corretos, os precisos.
Seu meio-dia não é o meu meio-dia
nem meu sono, termina em algum ponto programado
e estridente da manhã.
Porém,
tenho certa simpatia pelos relógios parados
errados sempre
salvo, por um instante, por um segundo
durante o dia no qual estão certos.
Um certo, que tem a beleza do acidental
do impossível que acontece
como o exato lance ou arremesso longínquo.
O perfeito ocorrido por um acaso mágico.
Solivan Brugnara
em Encantador de Serpentes
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O POEMA PERFEITO - SYLVIA BEIRUTE
O POEMA PERFEITO
{ao João Mota}
o poema perfeito
eles querem saber qual era o poema
perfeito
e eu disse eu disse o poema perfeito
o poema perfeito é
aquele em que cada palavra
em que cada palavra
ainda busca o seu exercício
mais elementar
o poema perfeito eles querem
o poema perfeito
eles não viram
eles não viram
o poema perfeito em cada palavra.
Sylvia Beirute
inédito.
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
PEDRO DU BOIS - POEMA - FAZER
FAZER
Feito ao avesso: da cabeça
aos pés transitam ordens desconexas
o primeiro limite estabelece o siso
o último rearranja as forças
com que chuto as pedras
desconheço a determinação
da placa: disparo
ao encontro do corpo
contrário e o choque
desintegra o mito
da cordialidade.
inédito
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sábado, 2 de julho de 2011
PERGUNTA INTACTA NA SOMBRA DE MINHA PORTA - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
porque alguém pediu muito...aqui vai:
PERGUNTA INTACTA NA SOMBRA DE MINHA PORTA
pergunta intacta na sombra de minha porta,
não ignoro os medos de tuas portas maiores.
quebro-te o rosto sem te ter ouvido a voz,
a figura de um homem, entre desejos e esperanças,
avança pela matéria pensante do medo.
é como conhecer o teu tamanho sem te ver palavras,
brincar aos modos de ser diferente, aos
ouvidos e olhos tapados
dissipando-se como dias lentíssimos
na aproximação das constelações distantes.
na aproximação das constelações distantes.
pergunta intacta na sombra de minha porta,
manhã fria, manhã inteira que transmite
inteireza na criança adulta ao lume, mistérios
do universo
na superfície caiada de uma existência avulsa
em independência. intransmissibilidade.
do universo
na superfície caiada de uma existência avulsa
em independência. intransmissibilidade.
e o sol ainda cega toda a beleza.
e a solidão ainda se alastra ao oceano.
e seja o que for ainda precisa de mim para se interrogar.
e seja o que for ainda precisa de mim para se interrogar.
pergunta intacta na sombra de minha alma.
Sylvia Beirute
inédito
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