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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um poema de Sylvia Beirute - Carbono




























CARBONO

parte esta distância ao meio e
separa os meus carbonos e nirvanas e
nas aberturas que se formam, entre uns e outros,
coloca-me um daqueles {!} pontos de exclamação
vermelhos em vias de extinção
e que cortam primeiro o pulso e depois
o eco à palavra eterna. } recolhe então
os deuses que da palavra emanam, ou
os do eco nado-morto no seu útero de nuvem, e
dispõe-os sobre a meia volta que o abraço
dá, desde a manhã, até à tarde. {
porque, de resto, na memória não há sentimentos
mas emboscadas que da sua espontaneidade
brotam e voam como algo por acontecer}.
as suas palavras, verdadeiras ou não, nascidas
ou inascidas, desfazem o longo muro de silêncio.

Sylvia Beirute
inédito

6 comentários:

Clara Margaça disse...

Fantásticos os poemas que escreves.
Reparei que estavas a seguir o meu blogue, não há muito tempo, julgo eu. Obrigada :)
Um beijo e um sorriso

jugioli disse...

uma beleza de poema.

Lindo blog, e obrigado por sequir o @dis-cursos.

Daniel de Sousa disse...

Mais uma surpreendente descoberta.Poema com uma dinâmica íntima invulgar e com uma linguagem que começa tornar-se de "preocupante" pela singularidade.Confesso que gostei.Muito.

Jorge Mesquita disse...

Poema com poema se paga.

LIBÉLULAS


Li no painel do teu coração de cristal
Mensagens de monstros de cordel
Folhas de papel com pincéis de coral
Registos de memória menstrual
Sem segredos nem medos da infância
Fantasmas em danças bucólicas
Entre paisagens e cólicas
Que medem a construção da distância
Entre o fel do instinto
E o pastel que coloriu a veia do néon extinto

Nós somos estudos de números redondos
No ecrã dos erros mudos
Ouvimos nos i pods os estrondos
Que a Ciência congrega em Entrudos
Para processar as aventuras
Das nossas mais íntimas loucuras

Vi nas células do teu riso precoce
O voo imortal das libélulas
Com flautas de moléculas em pautas de tosse
Situações com intuições feitas de posse
Sem as bocas das loucas tradições
Canções que sopram vinhas sociais
Entre imagens irracionais
Que racionalizam a morte das ficções
E pesquisam a inocência
Com as farsas que deslizam por entre a pen da imprudência

São doses fatais no cólon do velho vitral
Que se bebem às margens trigais
E ouvimos aos marginais da fera global
Que os ruídos das esferas sacramentais
Inventam aos olhos das patas fúteis
O padrão sonoro das nossas peles inúteis.


Oeiras, 11/07/2009 - Jorge Brasil Mesquita
www.comboiodotempo.blogspot.com
Obrigado por apareceres.

Marta disse...

e que bela casa Sylvia!

adorei pos poemas. parabéns!

e ainda bem que o "meu" livro te disse :)

o n z e p a l a v r a s disse...

Preciosidade!

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