Um poema do meu livro na Casa dos Poetas.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
ELE: O PRESIDENTE
Afinal não são só os futebolistas a falar na terceira pessoa. O Presidente da República também o faz.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
RUY BELO - OS PÁSSAROS E AS ÁRVORES - POEMA
OS PÁSSAROS E AS ÁRVORES
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
... Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se da bem na poesia
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
Ruy Belo
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
A FAMÍLIA DA ROSA - POEMA - ROBERT FROST
A FAMÍLIA DA ROSA
Uma rosa é rosa.
Sempre foi rosa.
Mas hoje alguém tenta
Fazer crer que uma pêra é rosa
E a maçã é vistosa
E a ameixa é também uma rosa.
E perguntam os amorosos
O que mais será rosa.
Tu, claro, és rosa –
Tu sempre foste rosa.
Robert Frost
versão de Pedro Calouste
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
POEMA QUE COMEÇOU COMO SENDO DE SYLVIA PLATH - SYLVIA BEIRUTE
POEMA QUE COMEÇOU COMO SENDO DE SYLVIA PLATH
este poema começou por ser de sylvia plath.
e pouco depois deixou de o ser.
não, já não era sylvia plath.
senti-o mais como um ferlinghetti, ou então
um hölderlin.
sim, até podia ser um hölderlin.
mas não tinha a certeza absoluta.
tentei espreitar para saber se podia ser
de manoel de barros, mas não vi qualquer
humanização bizarra.
perguntei ao meu editor, fernando esteves
pinto, se seria seu. e a resposta foi negativa.
liguei para ricardo domeneck, em berlim
e de viagem para lisboa para o festival epipiderme.
ele ouviu-o no meu português de tímido sotaque
e citou dois ou três nomes estrangeiros
que não consegui decorar.
mas pouco depois senti o poema como meu,
como se todo o sentimento tivesse descongelado.
como a minha contemporaneidade.
{é, talvez eu seja o último ponto
da minha própria contemporaneidade.}
e todas as minhas palavras pareceram de novo minhas
como se nunca tivessem deixado de o ser.
Sylvia Beirute
inédito
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
UM POEMA QUE AMEACE - MARIANA CAMPOS
UM POEMA QUE AMEACE
um poema que ameace. se eu soubesse dar nós. as pálpebras piscando esperando que passem. essa multidão. os avós todos se despedindo. a carne azul dos pêssegos, meu primeiro pensamento todas manhãs. sombras autônomas seguindo passarinhos. esses passarinhos pescando como homens pacientes. um poema esperando com olhos abertos debaixo d'água. uma multidão de velhinhas sobrevoando a cidade. sombras sobre as pálpebras da manhã, nosso horizonte em carne. nós azuis e assim por diante.
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sábado, 17 de setembro de 2011
A PRESSÃO DOS MERCADOS - NUNO JÚDICE - POEMA
A PRESSÃO DOS MERCADOS
Emprestem-me palavras para o poema; ou deem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? Que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba - o ar -
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
Nuno Júdice
Publicado no Jornal de Letras
em 20 de abril de 2011
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
UM CORPO ENCONTRA A SUA PROFUNDIDADE FORA DELE - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
UM CORPO ENCONTRA A SUA PROFUNDIDADE FORA DELE
um corpo encontra a sua profundidade fora dele
como a palavra isolada ilude a linguagem.
mas é na palavra transitiva que nos amamos
no que passa e contradiz
no lugar onde o erro ainda subverte
a sua prova mais ténue.
respiro as nossas impossibilidades
como se o corpo fosse a libertação
de todas as coisas.
Sylvia Beirute
inédito
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OPINIÕES DE "UMA PRÁTICA PARA DESCONSERTO"
Tem havido muita conversa em torno do meu livro, Uma Prática para Desconserto (4Águas, 2011). Há amor e ódio em cada um dos lados. A poesia é mesmo isto. Tenho consciência que é um livro denso e difícil, e que essa densidade, dentro de um só livro, torna a apreensão difícil ao leitor e ao crítico. Não teria sido má ideia colocar uma espécie de manual de instruções logo ao início (talvez desse um bom poema), uma vez que lê-lo de uma ponta à outra parece-me que pouco sentido faz, tendo em conta este tipo de poesia. O livro parte deste mesmo blogue e das oportunidades que em dois anos fui tendo para publicar em revistas literárias como a Inútil, a Bíblia, a Germina, a Zunái, etc, bem como em algumas antologias subordinadas a determinado tema. Apercebo-me que as pessoas conhecem muito bem a minha poesia. Daí que qualquer leitor, quando lê uma crítica ou uma opinião, sabe imediatamente apontar o que, para si, são as suas falhas ou raciocínios menos bem formulados. Este blogue, que é muito lido e seguido, tem dado ao leitor da minha poesia esse tempo de digestão, tempo esse que é ao mesmo tempo de apreensão e conhecimento dessa mesma poesia. Talvez o tempo que falta a quem pega no livro numa hora e na seguinte formula os mais definitivos juízos.
Colocarei aqui algumas opiniões sobre o livro, desde que fundamentadas. No Substantivo Plural, espaço de cultura lusófona, foram ontem publicados três poemas e uma pequena nota. Gostei muito das ideias.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
ESPÍRITO - POEMA- SYLVIA BEIRUTE
ESPÍRITO
e no final de tudo: o que prevalece.
é esta a questão.
quer dizer, o que subsiste e o que quebra
no confronto interno.
é que todas as coisas detêm, em certo momento,
uma voz imprópria.
qualquer coisa própria não é apreendida assim
pelos prenúncios dos actos.
e no final de tudo: o que prevalece.
questiona-me a minha adolescência regressada,
pergunta-me o coração partido
subindo os degraus da memória.
o que prevalece, digo.
e quanto mais o digo, mais resisto à apreensão do frio,
ao instante que perscruta o esquecimento
mais profundo.
Sylvia Beirute
inédito
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domingo, 11 de setembro de 2011
11 DE SETEMBRO - POEMA
11 DE SETEMBRO
nada a nada.
as quedas geram ausências diferentes.
uma coisa uma não coisa.
um poema um quase poema. isso.
sentido de homenagem, o respeito
de não voltar a fazer o objecto homenageável.
a especialidade rebenta em todos os órgãos.
a porta fecha com o mundo dentro dos
calcanhares que logo impedem a luz negra
de entrar por baixo.
os amanhãs dos hojes. exclamações submersas.
e um poema um quase poema e quem me dera
que fosse como uma vida
impossibilitada de ser um céu ou um paraíso
perdido, mas que deve ser quase isso.
manter-se nisso.
e nada a nada. uma coisa uma não coisa.
um poema um quase poema.
uma vida uma vida.
Sylvia Beirute
inédito
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sábado, 10 de setembro de 2011
(...) MAIS POEMAS DE "UMA PRÁTICA PARA DESCONSERTO"
Um poema do meu livro "Uma Prática para Desconserto" no Leitoras.SOS.
Outro no #Poesia.
Outro no Allegro Allegorico.
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E mais por aí.
E mais por aí.
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uma prática para desconserto; o livro
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
MARIA QUINTANS - POEMA
um peixe transformou-se em pó.
[o jogo era uma visão da verticalidade do aquário]
na mesa o peixe mordeu
a vela num anzol
desastradamente mole.
[acabam os cigarros e invado-me de fósforos]
é preciso ritmo para desmontar o princípio da impressão
dos símbolos, disse o peixe.
[hei-de dizer que compro sopa em episódios inúteis]
o fumo desliza pelo nariz
e desenho escamas no escuro.
o escuro favorece a pele, disse o peixe.
a sopa come-se em dois tragos.
[trago-te depois o guardanapo]
o peixe fugiu e provocou a
ira da linha.
a linha disparou dois tiros
num carapau surrealista.
o assassino anda a monte.
inédito
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A INTERPRETAÇÃO DOS POEMAS
Aí está o interessante da coisa. Uns poemas têm muitas interpretações, outros, calam. E esses são para mim os de maior valor: os textos que produzem a vocalização do silêncio. Há sempre quem goste e quem não goste, se nos preocupamos com isso construímos monumentos com as pedras que nos atiram ou então, e melhor: fazemos o que o diz o instinto: criar e criar, sem pensar em demasia no futuro, porque este mundo precisa de criações para ser ainda mais verdadeiro, como mencionava o Grande Manoel de Barros.
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domingo, 4 de setembro de 2011
MOVIMENTO - POEMA - SYLVIA BEIRUTE
MOVIMENTO
{ao Gavine Rubro}
assim.
assim.
assim.
que movimento é este?
que semiologia do próprio?
que não coincidência com o alvo errado?
que alvo seria?
que perfuração da cabeça?
que efeitos?
que tipo de ausência recolhe a arte?
que lacuna deixada em branco?
que reflexão no prazer intravenoso?
que erro de digitação?
que identidade num discurso de água?
que inalação de riscos e fricção da página?
que conceito fundamental da filosofia chinesa?
assim.
assim.
assim.
que movimento é este?
que acto mais se assemelha à liberdade sem o ser?
que resposta tem um caminho azul?
que tipo de certezas produzem as palavras?
que motivo central possui este poema?
que ideograma elaborado à máquina?
que máquina?
que silêncio?
que respeito?
que nuvem absorve o branco de todas as coisas?
Sylvia Beirute
inédito
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
HUNGRIA - PETER ZILAHY - POEMA - MORRER DE MEIAS
MORRER DE MEIAS
morrer de meias
porque o solo está frio,
posso vestir
um par de meias
e terminar assim;
e assim um fim é
devotamente doseado
porque os sapatos são uma prisão
e não há sequer tempo para pantufas,
somente morrer de meias;
e sinto-me tão em casa,
desperta o amanhecer,
e sobe, sobe alto;
e morrer dentro da acção mais quotidiana
dizer - hey, morro agora e de meias,
incorporando-me,
como que para ir buscar um copo de água
e entrar na morte
em profundo silêncio.
Peter Zilahy
versão de Pedro Calouste
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
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